DIA-A-DIA
O tempo é interessante! Por mais tranquilo que se seja ou se esteja, o mundo com sua turbulência humana nos prende a pequenos embates e desconfortos no dia-a-dia, e aos dias se sucedem as semanas, às semanas os meses e aos meses os anos!
Olha-se no espelho e busca-se o mesmo rosto adolescente e acredita-se que ainda esteja adolescente, mas sabe-se que está avançado em anos, com todas as tortuosas linhas que a cronologia acrescenta ao rosto, ao corpo e à alma!
No entanto, ainda há um vulcão buscando esperanças, alegrias e garimpando instantes de ternura e satisfação! Ainda há muito por fazer e muito para se ter!
Tudo parece a mesma coisa, mas quase tudo, de alguma maneira, está diferente!
A noite e o dia, o sol e a chuva, o sono e o despertar, o riso e a tristeza, a pressa e o vagar!
A ampulheta do tempo é eternamente igual, rápida e
silenciosa!
VÁCUO
Era a tarefa da escola, a longíngua matemática e geografia que aprendera apenas para passar de ano e que depois se viu obrigada a tirar do seu recôndito conhecimento, para ensinar os filhos. Era a correria, o caminho para a escola, as festinhas, que achava monótonas, não percebendo nos olhos dos filhos o brilho da alegria infantil!
Era a agitação para que tomassem banho sem encharcar o banheiro e a pressa para que se sentassem em ordem à mesa posta para o jantar!
Tanta coisa ao mesmo tempo, tanta aflição! Nenhuma satisfação acreditava ter! Considerava tudo só obrigação! Era feliz, mas não tinha consciência dessa feliz benção da família saudável!
Eles cresceram, estudaram, casaram-se e se mudaram!
Então, a pressa se transformou em vagar, a agitação em monotonia, a preocupação em ócio e a ocupação em vazio da alma!
Não havia mais tarefas, nem brincadeiras, nem descobertas, nem a felicidade das coisas simples!
Não havia o inocente sorriso do boa noite, nem o ruidoso som de vozes infantis ao despertar!
Era tudo rotineiro e no lugar!
Não havia mais 'vida'. Havia apenas um enorme vazio, um vácuo sem volta, porque, na vida, há um tempo certo para tudo!
DIA-A-DIA
" Um dos motivos mais fortes que levam os homens à arte e à ciência é fugir do dia-a-dia com sua crueza dolorosa e sua melancolia inconsolável." - Albert Einstein (1879-1955), cientista e filósofo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário