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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

















I) CRÔNICAS

BUSCA

Toda manhã ela vai para a frente da casa, com uma vassoura e repete o mesmo ritual: 'conversa' com os inúmeros passarinhos que voam, sobrevoam e se assentam pelos ipês floridos. Leva sempre uma tijela de leite para o preguiçoso gato sem dono que se refestela sobre uma mureta mofada e descascada, e com ele 'conversa', como se ele, com seu lento piscar, estivesse a ela sempre entender.

Ela varre!

Os minutos passam, 10, 15, 20, 30. Eis que o velho portão de madeira se abre, e dele sai, da mesma casa, de chinelos, bermudas e camiseta regata, um homem magro, um pouco arcado por renitente escoliose, e com um cigarro entre os dedos. Um não olha para o outro e nem se falam.

Ela varre!

Sempre cabisbaixa, de tempo em tempo, cruza os braços sobre a vassoura, observa os pássaros, 'conversa' novamente com o indiferente gato. O homem, sentado numa banqueta, as pernas displicentemente cruzadas, continua a fumar, quieto.

Um não olha para o outro, como se ali houvesse somente árvores, pássaros e um sonolento gato.

Ela varre!

Parece varrer tudo que na vida não quis: falta de conforto, juventude perdida, falta de perspectivas, filhos criados e longe de casa, um marido acomodado, falta de carinho, e dinheiro contado.

Ela varre!

Parece varrer as ilusões desfeitas, sua incapacidade para ser o que não é.

Ela varre!

O homem, ainda lá, no seu lento fumar, as pernas displicentemente cruzadas, o vagar no olhar.

Ela se despede dos passarinhos, do sonolento gato, recolhe a tijela vazia e entra em casa. Parece deixar para trás suas desilusões. Liga a televisão. Quer viver todas as emoções que não vive. Assiste à novela. Agora vai 'conversar' com suas personagens, vai continuar a viver no seu mundo de faz-de-conta!
OPINIÕES

O ser humano demora ou nunca chega a ter consciência da inutilidade das suas imutáveis e contundentes opiniões, das suas idiosssincrasias, que, ao final de tudo, não terão qualquer significado, porque tudo tem uma solução natural pela sabedoria do tempo.

II) MESTRES

" Saber envelhecer é a obra-prima da sabedoria e um dos capítulos mais difíceis na grande arte de viver. " - Herman Melville (1819-1891), escritor, poeta e ensaísta americano, autor de Moby-Dick, clássico levado ao cinema em 1956, com Gregory Peck no papel principal.

III) LITERATOS

Jonathan Swift, escritor, nasceu em Dublin, na Irlanda, em 30 de novembro de 1667, e faleceu na mesma cidade em 19 de outubro de 1745. Órfão de pai, com um ano de idade é levado por sua ama para a Inglaterra e, após dois anos em solo inglês, volta para a Irlanda em virtude de problemas políticos que ocorriam no país. É entregue então ao seu tio Godwin que o manda estudar na escola Kilkenny, em Dublin em 1673. O tio ensina-lhe boas maneiras, mas não lhe dá amor e carinho, limitando-se a medicá-lo quando tinha crises de surdez, mal que o ameaçou pelo resto da vida.

Em 1725 começa a escrever As Viagens de Gulliver, onde pretendia agredir o mundo, não diverti-lo.

Em 19 de outubro de 1745, Jonathan Swift , surdo e louco, morre em Dublin, sendo enterrado na Catedral de São Patrício.

As Viagens de Gulliver foram várias vezes levadas ao cinema, e o último filme é de 2010, com Jack Black e Jason Segel.

De Jonathan Swift:

- " São poucos os que vivem o presente; a maioria aguarda para viver mais tarde."

- " Todos desejam viver muito tempo, mas ninguém quer ser velho."

- " No homem, o desejo gera o amor. Na mulher, o amor gera o desejo."

IV) PENSAMENTO

Os laços, de qualquer natureza, têm um tempo certo para atarem ou desatarem, e, frequentemente, dependem de forças que não se pode controlar ou submeter às vontades.


fotos: Jonathan Swift, O pensador (Auguste Rodin), pintura de Monet.




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