

I) CRÔNICAS
MENOR COMPLEMENTO ALGÉBRICO
- Você colou
- Não colei!
- Você colou, sim senhor!
- Não colei, não senhor!
- Mas sua prova está igual à do seu colega, exceto pelo sinal de menos à frente da equação. - disse o professor de matemática.
- Eu não colei! - repetiu o aluno, precisando acreditar na sua mentira.
- Você colou! Seu colega é ótimo aluno e sei que ele não precisa colar de você.
- Eu não colei! - repetiu o aluno, sentindo que não ia aguentar por muito tempo, mas a cada instante mais convicto de que sua mentira era já, para ele próprio, uma verdade, tal sua necessidade de tirar um 10 para poder passar de ano.
- Muito bem! - disse o professor - Me diga então o nome deste sinal de menos à frente da equação e te dou 10.
- Abatido e batido, o aluno, na desesperança do seu desconhecimento, deu-se por rendido, meneou a cabeça e virou lentamente as costas para o professor, que ao vê-lo se retirar, mostrando que ele, professor, o havia descoberto, disse: - Sua nota é 9,0.
Em casa, ávido, buscou no livro de matemática, a resposta. Achou-a. Aquele sinal de menos que salvaria sua vida era o 'menor complemento algébrico.' Sem ele, a complicada equação se inverteria toda.
Estudou dois meses inteiros no final e início do ano, envolto em angústias e quase mortal expectativa, e, finalmente, superação suprema, conseguiu sua nota 10 na prova de recuperação.
Aprendera então as duas lições: a de vida e a de matemática. O sofrimento lhe moldou o melhor do espírito.
A vida seguiu, formou-se, casou-se, teve filhos, e eles foram para a escola.
Um dia, em casa, à noite, ele perguntou ao filho: - Como você está indo em matemática?
- Estou bem, fiz uma prova na semana passada, mas ainda não sei o resultado.
- O que é 'menor complemento algébrico?'
- Não sei, respondeu o filho.
- Você precisa saber!
- Por que?
- Porque é importante.
- Importante para que?
- Você vai precisar dele um dia.
- Por que?
- Espero que você nunca precise saber porque!
PEDRA PRECIOSA
O sucesso, o dinheiro, a notoriedade e cargos e funções, mesmo temporários, conferem poder aos que os detém.
O poder é um poderoso afrodisíaco da soberba e faz com que seus detentores se sintam acima do bem e do mal e jamais tenham a nobreza e a grandeza que deles se espera, para o bem do gênero humano.
Por isso, a história do mundo pode contar seus líderes, seus muito poucos líderes, aqueles que vêm transformar a vida, ao longo dos séculos!
II) MESTRES
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." - Fernando Sabino (1923-2004), escritor e jornalista brasileiro.
III) LITERATOS
Antoine de Saint-Exupery, escritor, ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial, terceiro filho do Conde Jean Saint-Exupéry e da Condessa Marie Foscolombe, nasceu em Lyon, França, em 29 de junho de 1900 e faleceu no Mar Mediterrâneo em 31 de julho de 1944.
Apaixonado, desde a infância, estudou no colégio jesuíta de Notre-Dame de Saint-Croix, em Mans, de 1904 a 1914. Em 1921 ele inicia o serviço militar no 2º Regimento de Aviação de Estrasburgo e logo em seguida consegue seu brevet de piloto civil. Em 1922 já é piloto militar brevetado, com o posto de subtenente da reserva. Em 1926 começa sua carreira como piloto de linha, voando entre Toulouse, Casablanca e Dakar. Após quase 25 meses na América do Norte, ele retorna à Europa para voar com as Forças Francesas Livres e lutar com os aliados em um esquadrão do Mediterrâneo.
Na noite de 31 de julho de 1944 ele decolou de uma base aérea na Córsega e não retornou. Em 2004, os destroços do avião que pilotava foram achados a poucos quilometros da costa de Marselha. Seu corpo nunca foi encontrado.
As suas obras são caracterizadas por alguns elementos como a aviação e a guerra.
Sua obra mais importante foi O PEQUENO PRINCÍPE, publicado em 1943, tendo sido traduzido em 160 línguas, e já vendido mais de 80 milhões de exemplares em aproximadamente 500 edições, sendo, várias vezes, levado ao cinema e à tv. O livro pode parecer simples, porém apresenta personagens plenos de simbolismos: o rei, o contador, o geógrafo, a raposa, a rosa, o adulto solitário e a serpente, entre outros.
O personagem principal vivia sozinho num planeta do tamanho de uma casa que tinha 3 vulcões, 2 ativos e 1 extinto. Tinha também uma flor, de grande beleza e igual orgulho. Foi o orgulho da rosa que arruinou a tranquilidade do mundo do Pequeno Príncipe e o levou a começar uma viagem que o trouxe finalmente à Terra, onde encontrou diversos personagens a partir dos quais conseguiu repensar o que é realmente importante na vida.
O livro mostra uma profunda mudança de valores, e sugere quão equivocados podem ser os nossos julgamentos, e como eles podem nos levar à solidão. Ele também nos leva à reflexão sobre a maneira de nos tornarmos adultos, entregues às preocupações diárias, e esquecidos da criança que somos.
.............."Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."...........................................................
.............."Só se vê bem com o coração; o essencial é invisível aos olhos.".............
IV) PENSAMENTO
A rotina da sobrevivência abriga a impessoalidade, que endurece o espírito e faz do homem um triste desconhecido de si próprio e hostil para com seus semelhantes.
fotos: O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry - pintura de Monet

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