COMUNIDADES DE CAPRICHOSOS
Eram casas com jardim na frente e um quintal com horta nos fundos. Eram cadeiras na calçada, conversas no início da noite e uma colher de sal ou uma lata de creme de leite emprestado. Era a liberdade da fraternidade e da solidariedade!
Houve desenvolvimento, progresso, muita gente nova chegando e o pedaço de chão ficou caro e precisou-se colocar uma casa em cima da outra, sem jardins ou hortas, mas somente com quartos pequenos e garagens estreitas.
Aí, retornou-se como à pólis, a cidade grega, separada uma das outras por uma grande muralha, feita de porteiros e câmeras de segurança que protegem contra os visitantes inconvenientes e os bandidos.
Lá dentro, entretanto, não está o isolado paraíso, mas todos os indiferentes que, circunstancialmente, têm que morar ao lado de outros que consideram como incomodantes intrusos, com o rádio alto, a batida do sapato no piso, o som da festa e a quem não cumprimentam ou mal cumprimentam quando se encontram no elevador.
Não bastasse a indiferença, a intolerância, o espírito crítico gratuito, a direção da polis é, frequentemente, entregue por omissão comum dos que não querem se envolver com as questões da comunidade, a desajeitados, insensíveis e autoritários aprendizes de soberanos, os síndicos que à frente dos destinos da sua pólis se excedem no mister de administrar o simples e o óbvio: o espírito de camaradagem e fraternidade entre os seus habitantes, substituindo as descontraídas conversas na calçada por formulários de advertências e multas.
Todo poder, por menor que seja, exige equilíbrio, generosidade, humanismo e precioso senso de justiça, atributos raros, faltantes, portanto, na maioria!
II) TEATRO DO INÁUDITO
O CAVALHEIRISMO IMPENSÁVEL
Ao final de um jogo de futebol pela Copa dos Campeões da Europa, na última semana, entre o Barcelona da Espanha e o Milan da Itália, vencido pela primeira equipe for 3 a 1, os jogadores das duas equipes se confraternizaram, assim como cumprimentaram os perfilados árbitros e auxiliares, sob os aplausos de um estádio cheio de torcedores de ambas as equipes.
Foi um ritual de cultura, boas maneiras e cavalheirismo!
Seria ináudito se isso acontecesse, alguma vez, em qualquer país da America do Sul, onde, rotineiramente, o cavalheirismo é substituido por agressões, ofensas, inconformismo, pedradas, tiros e mortes, dentro e fora dos estádios.
O que deveria ser apenas um entretenimento ou uma disputa envolvendo habilidades, em meio aos interesses econômico-financeiros, se transforma numa perigosa arena de gladiadores, como nos sangrentos tempos do imperador romano Nero!
III) LITERATOS
Antoine de Saint Exupéry
Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), escritor francês, ilustrador e piloto da Segunda Guerra Mundial, faleceu durante uma missão de reconhecimento sobre Grenoble e Annecy. Em 2004, os destroços do avião que pilotava foram encontrados a poucos quilometros da costa de Marselha. Seu corpo jamais foi encontrado.
A maior de suas criações foi o livro "O Pequeno Príncipe", publicado em 1943 nos Estados Unidos. Traduzido em várias línguas, transformou-se também em filme.
A princípio aparentando ser um livro para crianças, tem um grande teor poético e filosófico.
"Aqueles que passam por nós, não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós."
IV) COMPORTAMENTOEDIÇÃO IMPRESSA FINAL
Depois de 244 anos, a Encyclopaedia Britannica, sediada em Chicago, anunciou no mês passado que abandonaria as edições de papel. Colecionadores correram para comprar os últimos exemplares da coleção, vendida por mil e trezentos e noventa e cinco dólares.
É o lento e inexorável desaparecimento da imprensa inventada pelo alemão Johannes Gutenberg (1398-1468), gradualmente substituída por fontes online.
É a perene troca: a carruagem a cavalos pelo carro; a casa de taipa de pilão pela de concreto; o rádio pela televisão; a máquina de escrever pelo computador.
É o velho substituíindo o novo. Entretanto, a essência será sempre a mesma porque os homens são sempre os mesmos, não importando o século!
V) HISTÓRIA
O FIM DE UMA ERA
Até os anos 1930, os cine-theatros dividiam suas apresentações em filmes mudos, sempre acompanhados de piano ou de uma pequena orquestra ao vivo, e peças de teatro, operetas, bailes de carnaval e outras variedades, além de abrirem espaço para reuniões, solenidades cívicas e bailes.
O cinema era mudo até 1927 e falou pela primeira vez quando Hollywood lançou The Jazz Singer (O Cantor de Jazz) com Al Jolson. Era o começo do fim do cinema mudo e do modus operandi dos cine-theatros.
O Theatro São José, onde está a Biblioteca Pública Cassiano Ricardo, na esquina da Rua XV de Novembro com a Rua Sebastião Hummel, que havia sido inaugurado em 1910, já tinha, na década de 1930, seus equipamentos e instalações precários, além de problemas com o serviço sanitário.
Em janeiro de 1940, o prefeito Francisco José Longo concedeu ao concessionário do cinema 90 dias para desocupar o prédio, que pertencia à Prefeitura Municipal.
Foi o fim de uma era!
VI) PENSAMENTO
O ser humano demora para perceber a inutilidade das suas inocuidades, das suas mortais idiossincrasias, das suas tolamente imutáveis opiniões que, ao final, em nada resultarão, pelas soluções que a elas serão dadas pela sabedoria do tempo!
VII) TÚNEL DO TEMPO
O INCRÍVEL HULK
O seriado exibido nos anos 1980 tinha como herói David Banner (Bill Bixby),um médico franzinho que sofre um acidente de carro com sua mulher e ao não ter forças para virar o carro para salvá-la, busca, a partir daí, a força que falta para juntar às que todos temos nos momentos de aflição, desespero e perigo e a encontra quando sofre uma superexposição de raios gama durante uma de suas experiências.
Passa então a não ter mais controle sobre seus momentos de aflição, desespero, perigo e nervosismo e se transforma no fortíssimo Incrível Hulk (Lou Ferrigno).
Lou Ferrigno, 60, que interpretava o Incrível Hulk, nasceu em 1952 e foi campeão do Mr. America de fisioculturismo e ficou em 2º lugar no Mr. Olympia, derrotado por Arnold Schwarzenegger. É ator, personal trainer e fisiculturista.
Bill Bixby (1934-1993), que interpretava o Dr. David Banner, morreu de cancer na próstata, aos 59 anos de idade.





Caro Augusto: Assisti a esta partida entre Barcelona e Milan. Você tem razão, foi uma aula de comportamento humano. Ao final do jogo todos se cumprimentaram; uns orgulhosos pela conquista e outros amargurados com a derrota. Eu que já joguei futebol sei o quanto é difícil aceitar uma derrota. Outro tema interessante também foi o que abordou sobre as comunidades. Às vezes fico pensando: como o ser humano é difícil de ser entendido. Parece que a cada dia que passa as pessoas se tornam mais distantes, mais indiferentes e mais egoístas. Cada um querendo saber só de si próprias. Egoismo e egocentrismo misturados. Grande abraço
ResponderExcluir