PROTESTOS
MAIO 1968
No mês de maio do ano de 1968, em Paris, na França, ocorreu uma onda de protestos que teve início com manifestações estudantis para pedir reformas no setor educacional. O movimento cresceu tanto que evoluiu para uma greve de trabalhadores que balançou o governo do então presidente da França, Charles De Gaulle. Os universitários se uniram aos operários e promoveram a maior greve geral da Europa. Isso enfraqueceu politicamente o presidente, que renunciou um ano depois.
1968 NO BRASIL
O Brasil também teve movimento estudantil em 1968, embora com diferentes reivindicações e motivações políticas. Em comum, o sentimento de opressão e a disposição para lutar por ideais. No Brasil, o movimento estudantil lutou contra a ditadura dos militares.
JUNHO 2013
A onda de protestos no Brasil, que se iniciou contra o aumento do preço das passagens de ônibus, em várias cidades, se transformou em protesto contra a corrupção, perspectiva de impunidade de políticos condenados por corrupção e o uso desmedido de verbas federais para a construção de estádios de futebol enquanto a saúde, a educação, os transportes e a dignidade são precários.
HOMEM CORDIAL
O homem cordial, descrito pelo historiador Sérgio Buarque de Hollanda é aquele que, desde tempos coloniais, quando detentor de posição pública, não distingue entre o público e o privado, sendo os amigos como uma família, com todos os seus usos, favores e apoiamentos pessoais, mas, usando o patrimônio público, o qual não lhe pertence, portanto, em benefício de si próprios.
IMPOTÊNCIA E RESIGNAÇÃO
Não há, na história da humanidade, qualquer forma de opressão ou imposição pura e simples, mesmo amparadas por ordenamento político e jurídico ou por força militar, que sempre dure, pois, o oprimido, a maioria, se submete por impotência ou impossibilidade, por um certo tempo, mas não aceita a condição que lhe rouba a dignidade, o bem supremo da liberdade e as condição básicas de uma vida tão justa e plena quanto possível.
DO POVO E PARA O POVO
O celebrado estadista e presidente americano Abraham Lincoln, proferiu em 19 de novembro de 1863, no Cemitério Militar de Gettysburg, quatro meses após a batalha de Gettysburg, decisiva para o resultado da Guerra de Secessão que terminaria unindo os Estados Unidos, o discurso no qual reafirmou o renascimento da nação, numa ode à soberania do povo e à sua força e liberdade, "....que o governo do povo, pelo povo e para o povo jamais desapareça da face da Terra." Ode perene que a todas as nações deveria valer.
DISTÂNCIA
Há sempre um enorme vácuo entre os ideais e as idéias proferidas na busca pelo poder e o germe inato do idealismo e da condição de estadista. O comum candidato a homem público, e a maioria deles o é, ao assumi-lo, se torna enebriado pelo afrodisíaco poder que lhe rende glória, facilidades inúmeras e outras reverências.
O estadista, preciosa e rara joia, defende e luta, naturalmente, por teses, princípios, desigualdades e injustiças que, por menor que sejam, ferem sua alma e seus valores de integridade. Transformado em político, bandeira de causas e líder, de dentro para fora, ele não se deixa atingir pelas fraquezas do caráter, as quais desconhece, e se diferencia de milhares de homens cordiais.
Assim tem sido com homens como Nelson Mandela, Abraham Lincoln e Mahatma Ghandi.
ISOGONIA
O país é carente de líderes políticos da atual geração. Os movimentos sociais, com o consistente e rápido apoio da internet, germinam o seu grito de justiça e igualdade onde a inapetência e a ineficiência se acomodam. Nem mesmo o futebol, "paixão maior da pátria em chuteiras," consegue obscurecer a capacidade das novas gerações de exprimir a angústia represada e desejar melhor transporte, saúde, educação e a ter direito à sua dignidade.
Uma democracia, qualquer que seja, não é perfeita e assim tem sido desde sua criação na Grécia antiga, quando, entre outras coisas, as mulheres, os estrangeiros e os escravos não podiam votar, não tendo, portanto, igualdade de direito de expressão.
A isogonia que lhes era negada, é um direito mínimo de todos nas democracias de nossos tempos e o bom uso desse direito, pelo povo, poderá livrar o país da sua condição terceiro-mundista, para o bem das gerações mais antigas, que sempre viveram de turbulências, pequenos avanços, ceticismo e muita esperança, e das mais novas que, sinceramente, desejam viver o brilho e a certeza advindas das realizações concretas, e não apenas de esperança!




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