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sexta-feira, 18 de junho de 2010

JULGAMENTO

DIZER O QUE PENSA
O escritor português José Saramago, Prêmio Nobel de Literatura de 1998, que faleceu no último dia 18 de junho, era um homem que tinha a coragem de dizer o que pensava.
Quando falava, não era no plano da crítica do não gostar de algo ou alguém, do egoísmo, da inveja, do autoritarismo ou de outros abjetos motivos, como tanto estamos acostumados a ver à nossa volta.
Sua coragem em dizer o que pensava estava no plano das idéias, dos princípios, dos conceitos seculares, como no polêmico romance, supostamente herético, ' O Evangelho segundo Jesus Cristo ', no qual questiona dogmas católicos.
Achava também que o progresso, do ponto de vista técnico e tecnológico, desenvolveu a uma velocidade extraordinária, mas que no progresso moral andamos para trás.
Com um lendário pessimismo, tinha a tendência a ver o lado escuro das coisas. Era melancólico, sério e nunca foi um menino alegre, segundo suas próprias palavras, e ele só teve a consciência de ver o outro lado das coisas perto dos 20 anos, e de forma insólita: " Tinha a sorte de assistir em Lisboa a espetáculos de ópera do balcão superior, e à frente ficava o camarote real decorado com uma enorme coroa. Vista da platéia e dos outros balcões, era dourada. No entanto, vista de trás, não estava completa, era oca, empoeirada, com teias de aranha, e entendi que, para conhecer as coisas, é preciso dar-lhes a volta completa. Isto se tornou uma espécie de regra de vida e de algum modo contribuiu para meu pessimismo, pois as coisas vistas por trás normalmente são piores. "
JULGAMENTO
Exatamente iguais, na aparência e na idade, Tom Canty e Edward Tudor têm, entretanto, uma diferença: Edward é herdeiro do trono da Inglaterra, e Tom é um mendigo. Tom vive em cortiços e Edward em palácios.
Um dia, o destino intervém e ambos têm de viver, durante algum tempo, a vida do outro. Trocam de roupa e de papéis.
Um, habituado ao luxo, vai para a miséria, as doenças e a promiscuidade dos cortiços; o outro, do lixo, vai para a pompa, o luxo e as vaidades nos castelos.
' O príncipe e o mendigo ' é obra do escritor americano Mark Twain (1835-1910), publicada em 1882 e reflete o comportamento habitual do ser humano de julgar as pessoas pela aparência.
As roupas, os bens, os cargos ocupados são a prova inconteste das 'qualidades' da pessoa e vem determinar sua 'respeitabilidade' no meio social, enquanto a bondade, a generosidade, o respeito, a capacidade, o espírito solidário e um enorme elenco de virtudes encontradas nos verbetes dos dicionários, são de quase nula valia.
O que parece ser, em todos os agrupamentos humanos, de todos os tempos, vale muito mais do que realmente é!
JORNADA
" O mundo é tão bonito e eu tenho tanta pena de morrer. " - José Saramago (1922-2010), escritor português.

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