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sábado, 6 de novembro de 2010

LIVRO

TRADIÇÕES
Diluem-se as tradições no célere avanço das décadas.
Costumes desde muito tempo, seculares, milenares, substituidos por novos, em contrastante vigor.
Outras gentes, outros valores.
Gente jovem, como que contestadora.
Gente ainda sem raízes, com história por fazer.
Novos costumes são construídos em moldes de novos tempos.
Homens, acontecimentos.
Feitos, celebrações.
Descobertas, inventos.
Todos, um dia, há algum ou muito tempo atrás, de radioso brilho e importância.
Nos tempos da modernidade presente, esquecidos, ignorados ou, talvez, transformados em verbetes de dicionário.
É o tempo que passa, modera os espíritos e embaça a memória!
DESILUSÃO
Vive uma vida pequena,
em mal repartida casa,
em labirínticas vielas,
de decana construção em reboco,
donde vai para o trabalho rotineiro,
na cinzenta repartição de enfadadas vidas.
Vive uma vida pequena,
sem amigos,
sem família,
sem amor,
sem prestígio,
sem nada a contar,
sem nada a somar.
Nele, o entusiasmo é dormência.
Nele, a discussão inflamada é cética apatia!
FIM DO LIVRO IMPRESSO
Marshall McLuhan (1911-1980), teórico canadense da literatura e da comunicação disse que a imprensa acabaria por ceder lugar aos meios de comunicação eletrônicos, como a televisão e os computadores, porque a comunicação pela palavra impressa é um meio menos imediato e de caráter mais distanciado do que a comunicação audiovisual.
As antigas civilizações do Extremo Oriente desenvolveram as primeiras formas conhecidas de impressão. No século 8, os chineses produziram cópias de textos budistas usando blocos xilográficos e no Ocidente, os monges utilizavam blocos xilográficos no final do século 14 para imprimir imagens de santos.
Entretanto, quem realmente deu início ao desenvolvimento da impressão na Europa, ao inventar um molde de composição tipográfica para confeccionar tipos móveis em metal foi o alemão Johannes Gutenberg (1397-1468).
Mário Vargas Lhosa, o escritor peruano ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2010, diz que os meios audiovisuais não estão em condições de substituir a literatura na função de ensinar o ser humano a usar com segurança e talento, as riquíssimas possibilidades que a língua encerra, e que o destino dos romances está ligado, em matrimônio indissolúvel, ao do livro.
O escritor ganhador do Nobel de Literatura criticou, com contundência, Bill Gates, o fundador da Microsoft, que declarou, em visita à Real Academia Espanhola, que o seu maior projeto é 'acabar com os papéis, e pois, com os livros', mercadoria que, a seu entender, já é de um anacronismo contumaz.
O fim do papel impresso seria a aposentadoria dos seculares editores-gráficos, dos escribas, dos escritores.
O fim do livro seria o ocaso da reflexão, da apreciação das nuanças, da assimilação, do voo, do enternecimento e do envolvimento da razão e da emoção pelas páginas que se vai lentamente virando.
O fim do livro impresso seria o crepúsculo da expectativa do se virar a página, do dobrar sua ponta marcando até onde foi lido, dos óculos descansando sobre sua capa, dos desarmônicos, ou despretensiosamente harmônicos, tamanhos e cores nas estantes das sempre majestosas bibliotecas.
ETERNO
" Nada substitui o livro. " - José Mindlin (1914-2010), bibliófilo, dono da maior bliblioteca particular do país, cujos título foram doados para a Biblioteca da Universidade de São Paulo.

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