SÓ AMADO
Se gostam proibido,
como o fruto,
na candidez de olhares perturbadores.
Pouco se veem,
em encontro fátuo,
como que um ato de amor,
o mundo à volta é, repentinamente, doce encanto.
Amor de primeiro instante,
sem explicações,
não vivido, só amado,
de um e de outro lado.
Amor sem esperanças,
lógico, ilógico, onírico,
só de ver,
só de alma a se contemplar,
sem gemer,
suspiro abafado,
no batimento do coração controlado.
Paz e plenitude,
nirvana,
evasão de si,
só platônico,
dos sentidos,
do tempo,
para todo o sempre,
só amado, não vivido!
DESCIDA
O espírito da velhice se instala em seu coração.
As novidades não mais a encantam.
Sonhava conhecer o mundo, agora mal sai de casa.
Os risos e alegrias à sua volta parecem manifestações de ingênuos.
O imoderado desejo de atrair admiração, desvaneceu-se.
A palavra solta em defesa de teses e princípios, transformou-se em recolhido conformismo.
A sexualidade, um dia pulsátil, agora aquietada em suas entranhas.
O horizonte tão perto, agora tão distante quanto os anéis de Netuno.
Um dia, esperançoso olhar para o Oriente em busca do Sol, agora, se vê uma estrela cadente!
CEGUEIRA
Despojado de sensibilidade,
não viu os filhos engatinhando na renovação do ciclo da vida,
não observou o que se passava pelo mundo,
não notou o crescente olhar de infelicidade conjugal nos olhos da esposa,
não dançou valsas ao som magistral da sinfônica,
não aproveitou as oportunidades para fazer o bem,
não fez gentilezas.
Sua cegueira lhe obliterou a razão, irrogando-lhe uma existência sem sentido!
BOM SENSO
" O bom senso é a coisa melhor dividida do mundo, pois cada um se julga tão bem dotado dele que ainda os mais difíceis de serem satisfeitos em outras coisas não costumam querê-lo mais do que têm." - René Descartes (1596-1650), filósofo, matemático e físico francês em 'Discurso sobre o método'.
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