I) CRÔNICAS
NAU SEM RUMO
Vive o solipsismo das suas próprias escolhas, sem ninguém para divergir, nem para concordar, nos infinitos momentos de si próprio.
Em conversa muda, na apatia da sua alma, muitas vezes ausente, o injusto opróbrio das esquecidas alegrias das trocas mais íntimas existidas em profusão em tempos de relações humanas não enviesadas.
Vive como um grande navegador sem bússola, que se guia pelo dia e pela noite, na esperança de que, numa manhã de amarelado pôr do sol, à sua frente, surja terra firme!
LEVEZA
Não quer a intimidade física,
quer só o encantamento.
Não quer a duradoura doação,
quer a breve emoção.
Quer o diferente,
para não ser indiferente.
Quer o sonho acordada,
não a repetição enfadada.
Quer o doce do amoroso olhar,
não a distância do indiferente pesar!
II) PENSAMENTO LIVRE
Escondo meus erros e vergonhas no baú das minhas infelicidades irrecuperáveis.
III) MESTRES
" À medida que a sociedade se torna, com o tempo, mais civilizada e estável, as diferentes relações entre os homens se fazem mais complicadas e numerosas. A necessidade de leis civis faz-se sentir vivamente. Nascem então os legisladores; saem do recinto obscuro dos tribunais e dos poeirentos redutos das suas câmaras, para pontificar na corte do príncipe, ao lado dos barões feudais vestidos de arminho e malha. Os reis arruinam-se nas suas grandes empreitadas; esgotam-se os nobres em guerras particulares; enriquecem-se os pebleus no comércio. A influência do dinheiro começa a fazer-se sentir nos assuntos de Estado. O negócio é um novo caminho que se abre para o poder, e os financistas tornam-se uma força política a um tempo desprezada e lisonjeada. Pouco a pouco, as luzes se propagam; vemos redespertar o gosto pela literatura e pelas artes, o espírito passa então a ser um elemento do êxito; a ciência é um meio de governar; a inteligência, uma força social; os homens eruditos tornam parte nos negócios do Estado. " - Alexis de Tocqueville (1805-1859), filósofo francês em A Democracia na América.
IV) LITERATOS
Machado de Assis (21/06/1839-29/09/1908) escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista e crítico literário.
Suas mais importantes obras são Memórias Póstumas de Brás Cubas(1881) e Dom Casmurro(1889).
Exímio leitor, tinha um biblioteca abastecida com muitas obras de teologia, que muito o influenciaram, assim como sofreu as influências de José de Alencar, Gustave Flaubert, Honoré de Balzac, Emile Zola, Laurence Sterne, Jonathan Swift, Arthur Schopenhauer e WilliamShakespeare.
Sob inspiração da Academia Francesa de Letras (fundada em 1635 pelo Cardeal Richelieu), Machado de Assis e um grupo de intelectuais fundaram a Academia Brasileira de Letras, instalada na cidade do Rio de Janeiro em 28/01/1897, tendo sido escolhido como seu primeiro presidente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário