I) CRÔNICAS
A DESCONSTRUÇÃO DA VIDA
A natureza, na sua zanga, pode se transformar num terrível e incontrolável, embora cíclico, predador do homem e das suas conquistas.
Mas, o mais contumaz dos destruidores é o próprio homem, que, desapercebido do desamor por si próprio, e inconsciente dos mais básicos valores da existência humana, arremete sua intolerância contra seus 'semelhantes.'
Sem formação moral, espiritual e carentes de exemplos consistentes na vida familiar, nas instituições de ensino, nas lideranças políticas, que podem construir ou desconstruir os referenciais éticos e morais da conduta pessoal e coletiva, e na absoluta ausência da religiosidade, ceifam, por motivos os mais fúteis, a vida dos inocentes, dos seguidores dos melhores valores de uma vida dígna.
São praticantes de um hedonismo amoral e maléfico que se satisfaz no prazer pela destruição, na desvirtuação que existe nas sociedades onde os sólidos valores da cidadania e do respeito pela vida humana ainda são muito fragéis!
DISTANCIAMENTO
Não se involve em repetitivas e inócuas trocas verbais cuja monta apenas ajuda o entretenimento da passagem do tempo, e onde o poder de resolução das questões não está entre os debatedores.
Reserva-se para os irrefutáveis enfrentamentos estabelecidos pelo organismo social, para as obrigatoriedades da vida em sociedade, em suas dezenas de milhares de ordenamentos, restrições e punições por procedimentos omissivos e comissivos, e outros descaminhos de condutas preestabelecidas.
Prefere o poder de observação que o distanciamento lhe dá, e o leve sopro da serenidade que o aconselham na emissão de juízos de valores.
Quer sempre chegar em casa à noite, na inteireza do seu corpo, e ileso na sua dignidade!
II) MESTRES
" Dediquei uma parte da minha vida às letras e creio que uma forma de felicidade é a leitura; outra forma de felicidade é a criação poética, ou aquilo que chamamos de criação, que é uma mistura de esquecimento e lembrança daquilo que lemos.
Emerson coincide com Montaigne na opinião de que devemos ler unicamente aquilo que nos agrada, que um livro tem de ser uma forma de felicidade.
Devemos tanto às letras. Eu tratei mais de reler que ler, salvo que para reler é necessário ter lido.
Eu tenho esse culto do livro. "
Jorge Luiz Borges, escritor argentino (1899-1986).
III) LITERATOS
Carlos Heitor Cony, escritor e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro em 14 de março de 1926.
Estou em seminário até quase ordenar-se.
Apoiou e depois se opôs abertamente ao golpe militar de 1964, sendo forçado a se demitir do jornal Correio da Manhã onde era editorialista.
Atualmente recebe pensão do governo federal em decorrência da legislação que autoriza o pagamento de indenização aos que sofreram danos materiais e morais vitimados pela ditadura militar.
Já publicou contos, crônicas e romances.
Seu romance mais famoso é Quase memória, de 1995.
Entre seus romances: O Ventre (1958), A Verdade de Cada Dia (1959), O Piano e a Orquestra (1996), O adiantado da Hora (2006).
Seus contos: Quinze anos (1965), O Burguês e o Crime e Outros Contos (1997).
Obras infanto-juvenis: Uma História de Amor (1978), O Laço Cor-de-Rosa (2002).
É editorialista do jornal Folha de São Paulo.
É membro da Academia Brasileira de Letras.
De suas obras:
" Não dá para viver sem um truque.
À noite, enquanto espera o sono,
esboçe novos planos que lhe tragam,
se não a glória,
pelo menos o suficiente para
continuar a fazer novos planos
para um amanhã.
Pode ser um amanhã simples,
modesto, que seja apenas um amanhã. "
IV) PENSAMENTO LIVRE
Às vezes, basta um segundo, um gesto, uma palavra, até do que ou de quem menos se espera, para que anos de cristalizado modo de pensar se estilhassem em novas razões e caminhos de luzes restauradoras.
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