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sábado, 2 de abril de 2011

I) CRÔNICAS

AS LOUCURAS DA PALAVRA

Com a régia permissão do cacófato, a palavra mal dita, é a danação dos imprevidentes.

O ser humano se prima mais pela insensatez do que pela virtude.

O desvario verbal, muito frequentemente fundamentado em preconceituoso e irracional modo de pensar, leva às imotivadas prolações verbais e descabidos juízos de valores, que resultam em conflituosos embates, um tanto somente verbais, noutro tanto, de natureza jurídica.

A serenidade, e sua consequente prudência verbal, são como que males dos tímidos, dos de pouca fala, dos silenciosos, que têm pouco a dizer, aparentemente.

Sem uma racionalidade de valores, o homem desequilibra as relações sociais e depreda seu semelhante com a incúria das suas palavras e com opiniões carentes de isenção.

Fosse prudente, generoso e menos senhor das verdades, ergueria o poder da sua voz para a conciliação e o bem.

O homem jamais abandonará seu instinto predador, sua capacidade de ser menor do que o propósito para o qual foi criado.

DISTÂNCIA SOCIAL

Nas relações a dois, caminhado o tempo, os corpos são saciados e as novidades aquietadas, depois das descobertas de todos os seus sinuosos mistérios.

Nada mais havendo a explorar na superfície, esgotadas as emoções lúdicas, assoma lentamente o enfado, numa crônica monotonia de descaso.

A intermitente familiaridade torna-se um mal, enquanto a reservada distância mantém a solene majestade do carinho e do respeito duradouros, para o que as relações a dois foram feitas, mas a primeira, quase sempre prevalece sobre a segunda!

II) MESTRES

" O ideal que se deve procurar na vida não é a felicidade, mas a tranquilidade e o domínio equilibrado de todos os sentimentos, paixões e emoções. Isso é obtido quando se vive de acordo com a natureza e suas leis, que devem ser aceitas corajosamente. "

Marco Aurélio Antonino (121 d.C - 180 d.C), imperador romano e filósofo.

III) LITERATOS

O poeta Manoel Ricardo Junior nasceu em São José dos Campos em 3 de maio de 1854 e faleceu na mesma cidade em 4 de dezembro de 1943.

Culto, era também jornalista e escrevia principalmente sobre a cidade, as pessoas e as coisas que constituiam o seu dia a dia.

Seu soneto SILVIA.

" Ninguém sabia ao certo a origem dela;

Nem como aparecera ou donde vinha.....

Surgira, qual no céu surge uma estrela,

Como surge no espaço uma andorinha..

Tinha o perfil e os olhos tinha

Tão negros como a noite de procela.......

Vivia pelos alcouces tão mesquinha,

Tão mísera que causava pena vê-la.......

Um dia, sem deixar sequer rastro

Sumiu-se!...A terra é imensa e o céu é vasto...

Sumiu-se como bruma que se esvae.....

Mas, dizem que na véspera, aos pés dum velho

A viram soluçando, ao chão de joelhos.....

E esse velho, enfim, era seu pai.... "

IV) PENSAMENTO LIVRE

O ser humano, por qualquer motivo divino ou científico, poderia ter nascido para viver seu tempo genético certo, e não pela predação, que ceifa um ao outro no amor rejeitado, no trânsito, na guerra por conquistas territoriais, por pragmatismos religiosos, pela absurda busca pelo poder e outras tantas miserabilidades!

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