I) CRÔNICAS
TERNURA
Ela, já por hábitos desapercebidamente adquiridos, cuida mais das coisas que dos sentimentos e dos sentidos.
O coração, no vazio desalentado e solitário, em meio à multidão que a cerca, não encontra a titânica âncora sem pudor para expandir os desejos contidos dos quais vagamente se dá conta, mas não busca e não sabe materializar.
Tudo parece estar bem, mas o caminhar de olhar fixo no chão é o retrato do confinamento das suas possibilidades.
Seu sol não é tão brilhoso nem suas estrelas tão cintilantes.
Tem uma vida institucionalizada, com família, trabalho e amigos.
Cuida do corpo e do jeito, mas lhe falta o calor do doce olhar, o abraço terno e forte, o alguém que a chame de doce mulher.
Falta-lhe o cuidado do amor desabrido, da paixão devotada.
É mais uma solitária cercada de outros bens, que não os do espírito, da pele e do coração, por todos os lados!
HEDONISMO
Não querem todos ser felizes, mesmo sendo a felicidade uma abstração do espírito, e não uma concretitude?
O ser humano é um hedonista, e, como tal, busca o prazer individual e imediato, olvidando o bem comum e não praticando a generosidade, porque não sabe ser magnânimo, desprovido de grandeza de alma, como geralmente o é!
II) MESTRES
"Os laços de sangue são muito frágeis quando nenhuma afeição os reforça." - Marguerite Yourcenar, escritora francesa, em 'Memórias de Adriano.'
III) LITERATOS
Ernest Hemingway, escritor norte-americano, nasceu em Oak Park em 21 de julho de 1899 e faleceu em Ketchum em 2 de julho de 1961.
Era parte da comunidade de escritores expatriados em Paris, conhecida como 'geração perdida', nome inventado e popularizado por Gertrude Stein. Levando uma vida turbulenta, casou-se 4 vezes, além de ter tido vários relacionamentos românticos.
Ainda muito jovem, decidiu ir à Europa pela primeira vez, quando a 1ª Grande Guerra (1914-1918) assombrava o mundo. Tentou alistar-se, mas foi preterido por uma problema na visão. Acabou conseguindo uma vaga de motorista de ambulância na Cruz Vermelha.
Na década de 1930, após dois dias de pescaria em alto-mar, vai parar em Havana, capital cubana, onde viveria por 23 anos.
Entre romances, não-ficção e contos, escreveu A Farewell to Arms (1929), transformado em filme em 1957, com Rock Hudson, Jennifer Jones e Vitorio de Sica, O Velho e o Mar (1952), com o qual ganhou o Prêmio Pulitzer de 1953 e o Nobel de Literatura de 1954, que foi para as telas em 1958 com Spencer Tracy, e Por Quem os Sinos Dobram (1940), lançado em 1943, com Gary Cooper e Ingrid Bergman.
Ao longo de sua vida de escritor, o tema de suicídio aparece em escritos, cartas e conversas com muita frequência. Seu pai suicidou-se em 1929 por problemas de saúde e financeiros. Sua mãe, Grace, dona de casa e professora de canto e ópera, o atormentava com sua personalidade dominadora. Ela enviou-lhe pelo correio a pistola com a qual o seu pai havia se matado. O escritor, atônito, não sabia se ela queria que ele repetisse o ato do pai ou que guardasse a arma como lembrança.
Aos 61 anos e enfrentando problemas de hipertensão, diabetes, arteriosclerose, depressão e perda de memória, Hemingway, tomando do fuzil de caça, disparou contra si mesmo.
..........Trecho de 'Adeus às Armas'.............
"Num sábado à tarde em maio de 1937, um jovem e um velho camponês chamado Anselmo contemplam o campo do cimo de uma colina. O jovem é Robert Jordan, um universitário americano que luta ao lado dos Republicanos contra os facistas durante a Guerra Civil Espanhola. Anselmo está guiando Robert Jordan atrás das linhas inimigas para se juntar a um pequeno bando de guerrilheiros perto da ponte que Robert Jordan foi instruído a destruir."
IV) PENSAMENTO LIVRE
A palavra é, geralmente, usada como uma espada, seguras pelo punho do espírito crítico e do inato ânimo de julgar e punir do ser humano, que não permite que ele a use com bons modos e elegância, como se fosse uma flor.
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