I) CRÔNICAS
O BRILHO QUE SE FOI
Os dois adolescentes eram muito bons amigos. Viam-se quase todos os dias, um sempre indo de bicicleta até a casa do outro.
Lauro era espirituoso, tinha espírito de liderança e era invejado, no melhor sentido da palavra, pelo amigo Renan, um menino bonzinho, mas sem graça e tímido.
Um dia, na casa do Renan, havia visitas e, entre elas, duas moças com pouco mais de vinte anos, bonitas, divertidas e de boas famílias.
Em meio a muita conversa e risadas, Lauro perguntou a uma das moças:
- Qual é o seu sígno?
- Virgem! - respondeu ela prontamente.
Renan, o sem graça, com a falta de espirituosidade que o caracterizava, exclamou:
- Ela é virgem!?!?
Mal havia terminado de falar, e Lauro, o espirituoso, exclamou bem humorado como sempre:
- Disso eu nunca duvidei!
A sala explodiu em risos e a satisfação estava estampada no rosto da moça que viu que sua casta imagem estava preservada, mesmo que não fosse bem assim.
Renan, o sem graça, se encolheu um pouco, mais uma vez, por mais uma oportunidade perdida, diante da espirituosidade do amigo, e o invejou, no melhor sentido da palavra, mais uma vez.
Finalmente, as moças se despediram dando beijos e fazendo afagos em Lauro, o espirituoso, enquanto Renan, o sem graça, ficou com as despedidas formais.
Para Renan, o amigo espirituoso parecia que iria longe, teria um futuro brilhante, com sua fala e maneiras cativantes.
Os anos se passaram, mais de quarenta deles, e os amigos, pelas circunstâncias da vida, já haviam se distanciado e perdido contato há muito tempo.
Renan, o sem graça, fez curso superior, casou-se com uma moça bonita, teve filhos e tornou-se bem sucedido.
Um dia, encontrou Lauro. Ele estava gordo, careca, e os poucos cabelos que restavam, estavam brancos.
Já aposentado, tinha as pálpebras caídas e a pele enrugada. Não dirigia, não namorava e jamais se casara. Carregava um semblante entristecido, e tinha uma vida pequena.
A vida do ser humano é um molde de barro molhado, sendo por toda a vida moldado pelas mãos das circunstâncias, do livre arbítrio, das tragédias dos sonhos não concretizados, pelas insatisfações da alma e por um destino já escrito, em algum lugar no espaço cósmico!
SEM SENTIDO
Discutem no trânsito, na fila do banco, no supermercado, na família, na relação amorosa corroída, na amizade fragilizada e em meio à não aceitação absoluta das suas incertas opiniões.
Discutem a inutilidade, discutem sem sentido, enquanto a ampulheta marca o tempo perdido, lhes subtraindo o verdadeiro sentido da vida!
São homens e mulheres, como tantos outros, desesperançados, sem as virtudes mínimas do equilíbrio emocional, da generosidade e do otimismo!
II) MESTRES
" Não devemos permitir que o relógio e o calendário nos ceguem para o fato de que cada momento da vida é um milagre e um mistério. " - H. G. Wells (1866-1946), escritor britânico, autor de A Máquina do Tempo e A Guerra dos Mundos.
III) LITERATOS
Fiódor Dostoiéviski, escritor russo, nasceu em 11 de novembro de 1821, em Moscou, e faleceu em 9 de fevereiro de 1881, em São Petersburgo.
Ele é considerado o fundador do existencialismo, e sua obra explora a autodestruição, a humilhação e o assassinato, além de analisar estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e ao homicídio.
Conseguiu algum sucesso com o livro Pobre Gente (1846). Veio a repetir o sucesso com o semibiográfico Recordações da Casa dos Mortos (1862), aumentando sua reputação com Crime e Castigo (1866).
Seu último romance, Os Irmãos Karamazov (1881), foi considerado pelo psicanalista Sigmund Freud, como o melhor romance já escrito.
Dostoiéviski influenciou Hermann Hesse, Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka e Gabriel Garcia Márquez.
Os Irmãos Karamazov foi parar nas telas de cinema, lançado em 1958, com os atores Yul Brynner, Maria Schell, Lee J. Cobb e William Shatner.
IV) PENSAMENTO LIVRE
O coração tem dificuldades para andar de mãos dadas com a razão, e, abdicar desta, é renunciar voluntariamente à prudência e ao bom senso, e incorrer no erro, quando não, pior, na desilusão!
Querido Augusto
ResponderExcluircom você por perto não existe desamparo.
Sempre que visito seu blog fico mais rica,
rica de saber e possibilidades.
Um abraço de conduta terna.
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ResponderExcluirAssino embaixo das palavras de nossa irmãzinha Zenilda.
Abraços.
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