Minha lista de blogs

sábado, 29 de outubro de 2011






























I) CRÔNICAS

A FRESTA NAS CORTINAS

Era um homem com idade próxima dos 80 anos. Passava todos os dias, à pé, à mesma hora, 6 da tarde, pela calçada do outro lado em frente à casa da avó. A ampla casa, assobradada, de estilo arquitetônico robusto e em relevos, como não se faz mais nos dias de hoje, ficava em uma rua fartamente arborizada. O neto passava as festas de final de ano e todo o mês de janeiro junto com os avós, e àquele horário, ele estava sempre nos jardins da frente da casa, tapeando sua solidão com repetitivas brincadeiras de criança. O avô estava sempre na biblioteca da casa. A avó, ele nunca sabia onde ela estava naquele horário. Ela simplesmente sumia! Durante o dia ela estava sempre por perto, sempre se movimentando. As amigas vinham à tarde, três vezes por semana, jogar baralho, tomar chá e ter conversas cheias de risos algumas, outras cheias de malícias e maledicências. Pareciam felizes e se diziam felizes.

Mas, não escapava à argúcia do menino, que ao menos em sua avó, a quem conhecia melhor, havia um desejo de se mostrar-se mais feliz do que realmente era. Todas, e sua avó principalmente, davam a impressão que desejavam algo mais, que ignoravam o que era, como se estivessem caminhando pela vida com um vácuo nos seus desejos e nos seus corações. Pareciam querer mostrar, umas às outras, que tinham uma vida plena, onde nada lhes faltava, nem materialmente, o que era verdade, nem sentimentalmente, o que não era verdade! O tempo passava, e, todos os dias, sempre às 6 horas da tarde, sua avó sumia. Nunca saia de casa àquela hora, mas, simplesmente, sumia.

Um dia, naquele mesmo horário, o neto brincava com uma bola no jardim, e a jogou para o alto, e para o alto olhou para pegá-la de volta, quando viu uma fresta nas cortinas do quarto da avó no andar de cima. De repente, a cortina se fechou bruscamente por completo, e ao mesmo tempo, o homem já havia passado.

À noite, no jantar, o neto, na sua curiosidade de criança, perguntou: - Vó, eu sempre vejo um homem que passa na frente de casa todos os dias às 6 horas. A senhora conhece?

A avó soltou o garfo sobre o prato, que ressoou em abafado ruído, e empalideceu. Respondeu em tom de voz trêmulo e baixo: - Não conheço! Nunca o vi!

Na fração de segundos do choque que acabara de receber, passou-lhe pela mente o dia, há muitos anos atrás, quando, aos 15 anos de idade, foi ao seu primeiro baile com as amigas, e encantou-se com um moço alto e bonito, que foi efusivo com as outras duas amigas, e mal lhe dirigiu o olhar ou lhe disse palavra que fosse. Ele a havia 'ignorado,' praticamente. Aquela 'rejeição' ficou dentro dela para sempre. A vida caminhou, casou-se, teve filhos e netos, mas nunca se entregou inteiramente a nada: nem ao marido, nem ao trabalho, nem aos filhos e nem aos amigos.

No fundo, de forma imperceptível, desejava 'conquistar' sua 'rejeição', aquele homem que era o mesmo que a acompanhou como sombra em sua alma, aquele homem que passava pela sua rua todos os dias, aquele homem que ela olhava pela fresta das cortinas da janela do quarto, quando sumia.

Nada foi inteiro, nada foi pleno em sua vida, nem o seu querer, pois, alimentou-se da abstração de uma ilusão!

LÍDERES

Pulverizam-se as sociedades, rareiam os líderes, tornam-se quase todos 'anônimos,' vivendo em microcosmos, enquanto o mundo de sete bilhões de seres, vê, lentamente, diluir sua esperança, sua fé e seus valores em meio a conflitos, guerras étnicas e violências diversas.

O filósofo grego Diógenes de Sínope (404 a.C-323 a.C.), de quem se diz que teria vivido em um grande barril, no lugar de uma casa, perambulando pelas ruas e carregando uma lamparina durante o dia, procurava um homem honesto, e o mundo, precisa de líderes inspiradores, magnânimos, idealistas e realizadores, e, plagiariamente, como fazia o filósofo grego, poderia buscá-los entre os raros da sua melhor cepa, ainda que a busca seja utópica!

II) MESTRES

" Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande, mas não é sadio." - Santo Agostinho (354-430) filósofo, escritor, bispo e teólogo cristão.

III) LITERATOS

H. G. Wells (21/9/1866-13/8/1946), escritor britânico, foi, sem sucesso, na juventude, aprendiz de negociante de panos e, em 1883 tornou-se professor. Seus primeiros romances, descritos àquele tempo, como romances científicos, entraram na cultura popular como A Máquina do Tempo (1895), A Ilha do Dr. Moreau (1896), O Homem Invisível (1897), e A Guerra dos Mundos (1898).

Visionário, chegou a discutir em obras do início do século XX, questões ainda atuais como a ameaça da guerra nuclear, o advento do Estado Mundial e a dicotomia entre a natureza e a educação.

Seus livros mais conhecidos se transformaram em filmes, e A Máquina do Tempo, por exemplo, foi filmados várias vezes, e entre outros, um filme de 1960, com Rod Taylor e Yvette Mimieux, conta a história de um inglês que constrói uma máquina do tempo e a utiliza para viajar para o futuro.

IV) PENSAMENTO

Celebrar o brilho de cada momento é o simplório gesto que olvidamos porque só o tempo nos faz sentir a real significação de cada acontecimento, de cada pessoa, de cada olhar, de cada emoção!

V) COMPORTAMENTO

###### Bill Gates, confundador da Microsoft, generoso mecenas e segundo mais rico do mundo, declarou na última quinta-feira, dia 27, em uma conversa com alunos na Universidade de Washington, que não vale a pena alimentar a ambição de ser milionário. A sua fortuna é de 56 bilhões de dólares, e ele disse ser compreensível que se queira ter milhões de dólares, mas uma vez que se ultrapassa isso, "...é o mesmo que hambúrger." Com as doações que faz, Bill Gates está "mais pobre," pois, ele já chegou a ter 101 bilhões de dólares. Se vivesse em utópicos países socialistas, seu salário mensal seria de 2 dólares, e se fosse brasileiro, poderia estar fazendo parte dos 40% que recebem aproximadamente 320 dólares por mês. Todos, muito menos que "....o mesmo hambúrger."

###### O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem na fala, um dos pontos fortes da sua pregação política, é, ironia do destino, detectado com câncer na laringe, enquanto a notória dupla de cantores sertanejos oriundos de família simples e unida, Zezé di Camargo e Luciano, se desentendem publicamente. A vida é cheia de surpresas, e o que parece sólido e duradouro, é, muito frequentemente, um caminho com traiçoeiras areias movediças, que engolem sonhos e soterram o entendimento.

VI) TÚNEL DO TEMPO NO CINEMA E NA TV

O seriado de western Bonanza foi exibido, principalmente, nos anos 1960. A série narra a saga do rancheiro viúvo Ben Cartwright (Lorne Greene - 1915-1987) e seus três filhos Little Joe (Michael Landon - 1936-1991), Hoss (Dan Blocker - 1930-1972) e Adam (Pernell Roberts - 1928-2010). Com personagens bastante humanizados, Bonanza conquistou fãs ao redor do mundo todo com suas histórias de bravura, honradez e coragem, onde o bem sempre triunfava sobre o mal, com os Cartwright fazendo sempre a coisa certa, não importando o que isso custasse, sempre reforçando os valores familiares. Todos os atores da série se tornaram imensamente populares. Com a morte de Dan Blocker (Hoss), em 1972, os índices de audiência começaram a cair, e quando o seriado foi cancelado pela sua produtora, a rede americana NBC, em janeiro de 1973, a série começou a ser reprisada pelas redes de televisão ao redor do mundo, e a popularidade de Bonanza voltou a crescer. A série ainda encanta com sua marcante trilha sonora de abertura.

#Para assistir a trilha de abertura de Bonanza, digitar:


# Fotos: Bonanza - pintura de Monet - Diógenes - Santo Agostinho - A Máquina do Tempo













Nenhum comentário:

Postar um comentário