SOLILÓQUIO
Seu solipcismo é o abrigo de si mesmo,
sua cidadela,
sua polis,
sua fortaleza,
sua pretensa segurança.
Vive monólogo perpétuo,
no negrume das fugidias relações humanas.
Eremita sem causa,
sepúlto em vida,
sem fortunas.
Náusea,
Antoine Roquentin, de Sartre,
sozinho,
sem amigos,
sem amor,
nada lhe importando,
nem ele mesmo.
Monólogo da desesperança.
Lá fora, o sol,
a esperança,
o amor,
a vida!
CIDADE GRANDE
Tratavam-se todos pelo nome,
mas eram outros tempos.
Havia familiariedade, respeito e amizade,
traços elementares da solidariedade.
Os nomes eram sabidos,
os apelidos divertidos.
Cadeiras nas calçadas,
crianças pelas ruas de terra,
em alegres dissonantes gritos.
Bolinha de gude,
amarelinha,
cabra-cega,
esconde-esconde,
rolimãs.
Desponta notável progresso.
O velho, hirto, vê seu reino de dignidade modificado,
substituído.
A sociedade se dilui,
fragilizam-se os valores,
enfraquecem-se os laços de fraternidade.
A solidariedade é substituída pela indiferença,
os conhecidos se tornam desconhecidos.
Os sobrenomes, antes moedas de valor, agora são anônimos.
Cidadãos indiferentes, se protegem de seu desamor.
Vivem em casulos.
É uma cidade que cresce!
PRAZER
"....Os ditames da moralidade não têm lugar no sonho. " - Sigmund Freud (1856-1939), psiquiatra austríaco.
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