CRÔNICAS
VOO
Serpeia pelas páginas amareladas de gastos e empoeirados livros à busca de vidas e histórias que não são as suas.
Prisioneira das suas impossibilidades, viaja a vida não vivida pelos moinhos e emoções de personagens heróicas e seus feitos imaginários e reais.
Plana pelos tempos bíblicos, luta nas Cruzadas da idade média, pisa na lua, acompanha a ascensão e queda de reis e impérios, e viaja até o centro da terra, até que o seu corpo entorpecido e sua mente exausta se entreguem à vastidão do imprevisível sono.
Sabe que o dia seguinte será o da sua própria vida, sem emoções, sem grandes feitos, simples, possível, rotineiro, previsível, como o dia e a noite.
BRISA
Algumas pessoas passam pelas nossas vidas e nos marcam como o ferro no gado.
Outras, são como uma lufada de vento, que incomoda às vezes e refresca em outras, mas que a alma não insculpe e os sentimentos não acolhem!
PENSAMENTO LIVRE
O ser humano acredita que vive de refletidas escolhas quando, na verdade,, vive dos caminhos escritos pelo destino.
MESTRES
" Bem aventurados os mansos, porque não condescendem com a discórdia.
Não odeies teu inimigo, porque, se o fazes, és de algum modo seu escravo. Teu ódio nunca será melhor que tua paz.
Não exageres o culto da verdade; não há homem que no fim de um dia não tenha mentido com razão muitas vezes.
Não jures, porque todo juramento é uma ênfase.
Não falo nem de vingança nem de perdões; o esquecimento é a única vingança e o único perdão.
Não acumules ouro na terra, porque o ouro é pai do ócio, e este, da tristeza e do tédio.
Procura pelo prazer de procurar, não pelo de encontrar.
Não julgues a árvore por seus frutos nem o homem por suas obras, podem ser piores ou melhores.
Feliz o pobre sem amargura ou o rico sem soberba.
Felizes os valentes, os que aceitam com ânimo semelhante a derrota ou os aplausos.
Felizes os amados e os amantes e os que podem prescindir do amor.
Felizes os felizes. " - Jorge Luiz Borges (1899-1986), escritor argentino, em ' Fragmentos de um evangelho.'
LITERATOS
Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) foi crítico literário, jornalista, professor e um dos mais importantes historiadores brasileiros.
Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, foi correspondente dos Diários Associados em Berlim, professor na Universidade do Distrito Federal, na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP; professor convidado em universidades no Chile e nos Estados Unidos e participou de missões culturais da UNESCO na Costa Rica e no Perú.
Recebeu o Prêmio Juca Pato, da União Brasileira de Escritores e o Prêmio Jabuti, da Câmara do Livro.
Em meio às importantes obras que escreveu, destaca-se Raízes do Brasil, publicada em 1936, que aborda aspectos centrais da cultura brasileira. A obra é uma interpretação do processo de formação da sociedade brasileira e destaca, sobretudo, a importância do legado cultural da colonização portuguesa no Brasil, e a dinâmica dos arranjos e adaptações que marcaram as transferências culturais de Portugal para a sua colônia. Raízes do Brasil é uma obra capital para a compreensão da verdade brasileira e de seus desarranjos que até hoje nos atingem.
Sérgio Buarque de Holanda, nessa obra, tenta elucidar a realidade brasileira, e as causas de uma certa mal sucedida formação de um espírito progressista no seio das relações sociais da civilização brasileira.
Foi membro da Academia Paulista de Letras.
Caro Augusto, a nova fisionomia do blog nos mostra seu criador mais destemido e mais incisivo. Agora com um curriculum mais robustecido. Retomando a leitura após longo hiato, me chama a atenção o tópico "MESTRES" com sua feliz opção pelos conteúdos. No da semana passada, o destaque foi a afirmação da necessidade de criação de leis à medida em que o homem se desenvolve. A meu ver deveria ser o contrário: à medida em que o homem cresce culturalmente, os impasses deveriam ser decididos com emprego da racionalidade. Mas o egoismo parece que tem falado mais alto. No desta semana, gostei muito da afirmação de JLB - (não exageres o culto da verdade,não há homem que no fim do dia não tenha mentido nem que seja com razão) Não concordo muito com a afirmação de que (não devemos julgar uma árvore pelos frutos que dá..... nem o homem por suas obras....
ResponderExcluirGostei muitos também dos outros tópicos.
Grande abraço Dario.