Minha lista de blogs

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

I) CRÔNICAS
CÔNCAVO-CONVEXO
Não ri, sorri.
Não grita, sussurra.
Não chora, soluça.
Não corre, caminha.
Não retruca, equilibra-se.
Não ambiciona, contenta-se.
Côncavo-convexo.
É feliz, não sofre!
ILUSÃO
O olhar revela-se o mesmo.
Traicoeiro, mente-lhe a idade
no viço do rosto que não é mais o mesmo.
Vê a envelhecida amiga.
Seu olhar no espelho lhe nega enxergar
as rugas e os vincos que acredita não ter.
Ilusão de si própria.
Com marcas dissimuladas na alma,
e visíveis vincos no rosto,
deixa-se levar pela sua ilusão.
Deita-se feliz com ela.
Assim, outros anos com outros vincos se passarão,
e ela irá deitar-se feliz, sempre desconfiada,
mas, junto com sua complacente ilusão!
II) MESTRES
" O conhecimento somente pode ser obtido através da experiência direta com as coisas do mundo.
A alma é como um papel em branco, que ao longo da vida vai sendo 'impresso' pelas idéias que o homem articula a partir dos dados que adquire com a experiência concreta. "
John Locke (1.632-1704), filósofo inglês.
III) MANUEL BANDEIRA
Manuel Bandeira (19/04/1886-13/10/1968), foi poeta, crítico literário e de arte, professor e tradutor.
Fez parte da geração de 22 da literatura moderna brasileira, participando da histórica 'Semana de Arte Mordena de 1922' com seu poema 'Os Sapos'.
Entre sua poesia, prosa e antologias: A Cinza das Horas(1917), Carnaval(1919), Os Sapos(1922), O Ritmo Dissoluto(1924), Libertinagem(1930), Crônicas da Província do Brasil(1936), Guia de Ouro Preto(1938), Itinerário de Pasárgada(1966), Antologia Poética(1961), Poesias do Brasil(1963).
Do livro 'Bandeira a Vida Inteira ':
Vou-me Embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada.
Lá sou amigo do rei.
Lá tenho a mulher que eu quero
na cama que escolherei.
Vou-me embora pra Pasárgada.
Vou-me embora pra Pasárgada.
Aqui eu não sou feliz.
Lá a existência é uma aventura
de tal modo inconsequente
que Joana a Louca de Espanha
rainha e falsa demente
vem a ser contraparente.
Da nora que nunca tive
e como farei ginástica
andarei de bicicleta
montarei em burro brabo
subirei no pau-de-sebo
tomarei banho de mar!
E quando estiver cansado
deito na beira do rio
mando chamar a mãe-d´água
pra me contar as histórias
que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar.
Vou-me embora pra Pasárgada.
Em Pasárgada tem tudo.
É outra civilização.
Tem um processo seguro
de impedir a concepção.
Tem telefone automático.
Tem alcalóide à vontade.
Tem prostitutas bonitas
para a gente namorar.
E quando eu estiver mais triste
mas triste de não ter jeito
quando de noite me der
vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
na cama que escolherei.
Vou-me embora pra Pasárgada.
IV) PENSAMENTO LIVRE
O homem é capaz de ir à lua e buscar outras lonjuras planetárias nos milhares de quilômetros que separam os corpos celestes, mas mal consegue percorrer as pequenas distâncias de estremecidas relações afetivas que o desequilibram e o tornam, frequentemente, um entristecido vivente!

Nenhum comentário:

Postar um comentário