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sábado, 19 de fevereiro de 2011

I) CRÔNICAS
QUASE COPIANDO
Ele poderia ter planejado mais;
se preocupado muito pouco;
tomado chuva enquanto girava em torno
de si próprio, com os braços abertos em cruz,
no acalento da chuva que,
escorrendo tépida pelo seu rosto,
lavaria sua alma;
andaria mais lentamente, em contemplativos olhares;
tomaria sorvete com aqueles que o amam;
seria mais cúmplice dos seus amores puros;
apreciaria, embevecido, o amarelado do por do sol
como se fosse uma pintura impressionista;
correria as costas dos dedos, em suave descer,
sobre a face da pessoa que o olha com olhar doce;
seria mais feliz com a felicidade das pessoas que ama;
ajudaria as pessoas amadas a conquistar seus sonhos.
Enfim, ele seria menos tolo!
VIDA SECULAR
As mesmas ruas, o coreto, a igreja e os velhos e modestos prédios da prefeitura, da câmara e do fórum.
O mercado com caminhões, charretes, carrinhos de madeira e a gente simples em seu entorno.
Os hábitos e costumes de gerações.
As improváveis novidades e emoções.
O antigo que não sabe o caminho para ser novo, ou talvez nem o queira, tão habituado ao imutável sempre.
O velho que se segue ao já também velho.
Não há sobressaltos, só despercebida monotonia.
Não há sonhos, somente descansado e perdido olhar em direção a um indefinido horizonte.
Magia de uma existência de pureza e simplicidade?
Em quais recônditos princípios se alicerçam o ser e o viver?
II) MESTRES
" Se não se dispõe também de ouro,
não se pode ser totalmente feliz,
a vida se arrasta tristemente,
aparecem as preocupações.
Mas se tilinta nos bolsos, o ouro pode
conservar a sorte, atrai o poder e o amor,
e satisfaz o desejo mais sofisticado.
A fortuna serve como um criado pelo seu
salário. É algo de realmente belo, o ouro!
Quando se une o nada ao nada a soma é
muito pequena; quem na mesa só encontra
amor, se levanta com fome.
Portanto, que a fortuna sorria para vocês,
seja generosa, e os abençoe;
e oriente os seus esforços,
com a amada nos braços
e o ouro nos bolsos,
e assim poderão viver muitos anos.
A fortuna serve como um criado pelo seu salário.
Que coisa poderosa é o ouro.
- Ópera FIDÉLIO de Ludwig Van Beethoven(17/09/1770-26/03/1827), baseada em libreto de Joseph Sonnleithner e Friedrich Treitschke.
III) LITERATOS
O poeta Paulo Bonfim nasceu em São Paulo no dia 30 de setembro de 1926.
Sua carreira literária foi iniciada no Diário de São Paulo, no Correio Paulistano e no Diário de Notícias.
Seu primeiro livro de poemas, 'Antonio Triste', com ilustrações de Tarsila do Amaral, foi lançado em 1946, e recebeu o Prêmio Olavo Bilac, concedido pela Academia Brasileira de Letras em 1947.
Ao mesmo tempo, atuou como produtor de rádio e televisão, tendo sido também curador da Fundação Padre Anchieta e presidente do Conselho Estadual de Cultura.
Sua obra literária inclui: Transfiguração(1951); Relógio do Sol(1952); Cantiga de Desencontro(1954); Poema do Silêncio(1954); Sinfonia Branca(1954); Tempo Reverso(1964); Poemas Escolhidos(1974); Praia de Sonetos(1981); Súdito da Noite(1992); Aquele Menino(2004); O Caminhoneiro(2004); Janeiros de meu São Paulo(2006); O Colecionador de Minutos(2006).
É membro da Academia Paulista de Letras.
CANTIGA DO DESENCONTRO
" Onde estou que não me encontro
Caminho que já não sinto,
Eco de vozes distantes
Flutuando no labirinto?
Onde deixei meu olhar
Repleto de água e rastros,
Onde a lama se confunde
Com o silêncio dos astros?
Onde estou que não me encontro
Entre esperanças antigas,
Gesto perdido de sombras,
Lábio gasto de cantigas?
Onde larguei a inocência,
A voz, o sonho, a distância,
Se os manacás reflorescem
Além dos muros da infância!
IV) PENSAMENTO LIVRE
Alguns fazem suas escolhas pelos bens duradouros, sem grandes sobressaltos, em quase todas as circunstâncias e por quase todos os momentos: a família, projetos, estudos, festas de aniversário, os mesmos locais, os mesmos amigos, o Natal.
Muitos outros, tal qual biruta de aeroporto, são inertes, murchos, ao sabor dos acontecimentos, e só se movimentam quando um vento que não é seu sopra sua força e lhe dá um vantajoso rumo temporário.

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