I) CRÔNICAS
INUTILIDADES
As barreiras que aos nossos olhos e em nossos espíritos se alevantam temerárias, são muito maiores que as reais, quando não, somente fruto da nossa profícua e fantasiosa imaginação.
Tudo fica irrealisticamente difícil ou impossível: o ressentimento não esclarecido, o gesto não compreendido, a solidariedade não manifestada em sua rara oportunidade e as dezenas de outras inutilidades cujos 'significados' se perderão no irreversível, veloz e contínuo passar do tempo.
A imaginação do ser humano é muito maior que a vida real, para o bem ou para o mal!
MUDEZ
Sua palavra não encontra ressonância.
Não tem poder natural algum ou outorgado que seja, que a permita ser ouvida.
Não é rica, não é dotada de beleza ostensiva, não tem talento ou carisma.
Não tem amor, nem o acariciante manto da cumplicidade.
Tem somente, como seu indesejado aliado, o surdo recato do seu solipsismo.
Sua voz é um sussurro na quietude do seu delicado ser!
II) MESTRES
" Mar Português "
" Ó mar salgado, quanto do teu sal
são lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena ? Tudo vale a pena
se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
mas nele é que espelhou o céu. "
Fernando Pessoa (1888-1935), poeta português.
III) LITERATOS
Cora Coralina (20/08/1889-10/04/1985), poetisa e contista brasileira, nasceu em Cidade de Goiás, e publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade.
Mulher simples que viveu longe dos centros urbanos, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, principalmente dos becos e ruas históricas de Goiás.
Começou a escrever seus primeiros textos aos 14 anos de idade, publicando-os nos jornais locais, apesar da pouca escolaridade.
Escrevia com simplicidade e seu desconhecimento acerca das regras da gramática contribuiu para que sua produção artística priorizasse a mensagem ao invés da forma.
A sua casa na Cidade de Goiás foi transformada em museu em homenagem à sua história de vida e produção literária.
Entre suas obras: 'Estórias da Casa Velha da Ponte', 'Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais', 'Meninos Verdes', 'Meu Livro de Cordel', 'O Tesouro da Casa Velha', 'A Moeda que o Pato Engoliu', 'Vintém de Cobre', 'As Cocadas.'
De sua obra:
" Poeminha amoroso "
" Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu....
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu....
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo....
eu te amo, perdoa-me, eu te amo...."
IV) PENSAMENTO LIVRE
Um homem é seu tempo, com seus horizontes.
A esperança, é que ele, diferente da maioria silenciosa, seja livre, ousado, desprendido, e enxergue o hoje e o construa com a amplidão do amanhã. "
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