I) CRÔNICAS
ENCANTOS DA NOTORIEDADE
Há algo de naturalmente mágico em se ser exótico, em se falar outra língua enquanto todos os outros falam a mesma, em se ser um excepcional atleta, em se ser um virtuose em algum instrumento musical, em se ser muito rico, ou, simplesmente, muito famoso.
Há, por parte da multidão, dita anônima, uma gentil deferência, uma dissimulada admiração, respeito e simpatia para com eles.
As portas do mundo se abrem mais ainda para eles, como se disso precisassem, como se seus atributos, hereditários ou conquistados, não fossem o suficiente.
Pessoas com duas vidas: uma intimista e real, a outra, de todos e de palco.
Na sua intimidade, são comuns mortais, com suas dores e amores, mas, no grande palco do mundo, quer seja em efêmera ou duradoura glória, são como deuses do Olimpo!
MUNDO DA POLÍTICA
A vida na política, muito frequentemente, não tem um lineamento lógico, ético e humanista, onde fazer o bem para a coletividade é o grande ideal a ser alcançado.
A política é uma enorme teia de interesses, pressões, desgastes, alianças desconexas e de ocasião, palavreado duro à vista das aparências e conciliador no recôndito dos necessários entendimentos, de inimizade mortal um dia e fraternidade universal no outro.
Políticos podem provocar a intranquilidade da família, perder a saúde, os 'amigos' e a fortuna, na busca e manutenção do poder, que é muitas vezes temporário, mas poderosamente afrodisíaco.
Montesquieu (Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu - 1689-1755), considerado um homem calmo, honesto e bom, estabeleceu a tripartição de poderes (executivo, legislativo e judiciário), inimigo do despotismo que era.
Niccolò Maquiavel (1469-1527), viveu em Florença, ao tempo de César Bórgia e do papa Julio II, o corpo a corpo com a conflituosa realidade político-administrativa, descrevendo os homens de carne e osso, falíveis, guiados por desejos e ambições, capazes de vinganças terríveis e com uma sede insaciável de poder.
Em 'O Príncipe', escrito em 1513, disse que 'em política só se deve ter em mente os fins a atingir, sem se deixar dominar por preconceitos de ordem moral.'
A vida política é um gigantesco labirinto de contradições onde convivem idealistas e interesseiros, e poucos conseguem sobreviver incólumes dentro de seus turbulentos territórios.
A vida política não é para sonhadores ou poetas!
II) MESTRES
" É impossível, por mais que se queira, elevar os conhecimentos do povo, acima de certo nível. Já será muito facilitar os princípios dos conhecimentos humanos, melhorar os métodos de ensino e colocar a ciência a preços acessíveis, jamais se fará com que os homens se instruam e desenvolvam a sua inteligência, sem consagrar tempo a isso.
A facilidade maior ou menor que o povo encontra para viver sem trabalhar, constitui pois o limite necessário dos seus progressos intelectuais. "
Alexis de Tocqueville (1805-1859), em 'A Democracia na América.'
III) LITERATOS
Mário Quintana, nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 30 de julho de 1906 e faleceu em Porto Alegre em 5 de maio de 1994.
Foi poeta, tradutor e jornalista.
Considerado 'o poeta das coisas simples', com um estilo marcado pela ironia, pela profundidade e pela perfeição técnica, ele trabalhou como jornalista quase toda sua vida.
Em 1940, ele lançou o seu primeiro livro de poesias, A Rua dos Cataventos, iniciando sua carreira de poeta, escritor e autor infantil.
Não se casou nem teve filhos.
Solitário, viveu grande parte da sua vida em hotéis: no Hotel Majestic em Porto Alegre, e depois no Hotel Royal, de propriedade do ex-jogador da seleção brasileira, Paulo Roberto Falcão, que cedeu a ele um quarto.
Em 1982, o prédio do Hotel Majestic, marco arquitetônico de Porto Alegre foi tombado, depois adquirido pelo governo estadual e transformado na Casa de Cultura Mario Quintana.
Três vezes candidato a uma vaga à Academia Brasileira de Letras, não sendo eleito, ao ser convidado para candidatar-se uma quarta vez, e mesmo com a promessa de unanimidade em torno de seu nome, o poeta recusou.
Da sua obra 'Esconderijo do tempo':
'Seiscentos e sessenta e seis'
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo......
Quando se vê, já é 6ª feira......
Quando se vê, passaram 60 anos......
Agora, é tarde demais para ser reprovado......
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio,
seguia em frente, sempre em frente......
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
IV) PENSAMENTO LIVRE
O cotidiano impõe ao ser humano, em maiores ou menores proporções, controversos obstáculos, criados por ele mesmo ou por absurdas circunstâncias.
Em sua imensa incapacidade de encontrar alegrias nas coisas mais simples, frustrado que quase sempre está, com sua própria condição, e com supostas impossibilidades, amargura-se e frustra-se nas pífias tentativas de livrar-se dos fantamas de si próprio.
Carrega consigo um peso que não é o tolerável pelo seu corpo,
mas sim um amargurado fardo gerado pela fragilidade das suas convicções!
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