I) CRÔNICAS
ILUSÕES
Então, sem se darem conta, todos envelheceram: o bem maduro, o jovem e aquele que nascera não fazia muito.
Em um, os movimentos firmes foram substituídos pela arrastada lentidão; no outro, a intempestividade pela reflexão, e no último, o choro pela descoberta do mundo.
Em um, a leve dor virou artrose; no outro, o viço virou ruga, e no último, o sono profundo foi substituído pela noite de agito.
Do porvir, o primeiro não faz planos e pouco espera; o segundo acredita que poderá corrigir seus descaminhos com um pouco de sorte, e o último, que pode ser dono do mundo.
Sucedem-se as gerações, mas o ser humano continua o mesmo, com desesperanças, equívocos e sonhos sem sentido, não se dando conta de que a eudaimonia, a felicidade, se encontra ao seu redor o tempo todo, mas ela não se chama felicidade, ela é sutíl e pode ser percebida pelos que podem sintetizar sua sensibilidade, como um monge budista no alto de sua montanha tibetana, e se chama: saúde, trabalho satisfatório, abrigo, família, amigos, prazeres simples, algum reconhecimento por seus pares, religiosidade, objetivos e generosidade!
BRILHO DURADOURO
Não tem uma beleza radiante, mas sim uma efuziante atitude perante a vida, o que confere a ela um brilho sui generis.
Tem a beleza dos que se irradiam pela presença do seu humor, vivacidade, tirocínio e uma honesta alegria com a presença dos outros.
É cidadã dos sons melodiosos, das palavras gentis e do otimismo encantador.
Percalços houveram ao longo da sua vida, mas transformou ásperos cascalhos em refinados grãos de areia da mais sensível ampulheta.
Seu corpo e sua alma, levemente, se queixam, na quietude do sombrio silêncio, o amor e o abraço protetor que não se fazem presentes, mas como pouco se dá a inconsequentes aventuras, reserva o melhor de si para si própria e dilue o passageiro afago reclamado pelos sentidos.
Seu doce olhar lhe mostra o que quer, e ela se recusa a levantar o véu das suas virtudes ao léu!
II) MESTRES
" A ciência não foi domada de forma a fazer mais bem do que mal. Durante a guerra, ela dá às pessoas os meios para se envenenarem e mutilarem umas às outras e , em tempos de paz, torna nossas vidas apressadas e incertas.
Em vez de ser uma força libertadora, escravizou os homens às máquinas, fazendo-os trabalhar horas excessivas e exaustivas sem alegrias.
A preocupação de tornar a vida melhor para os seres humanos comuns devia ser o objetivo principal da ciência." - Albert Einstein (1879-1955), cientista e filósofo.
III) LITERATOS
Augusto Frederico Schmidt, poeta, nasceu no então Distrito Federal (Guanabara) em 18/4/1906 e faleceu no Rio de Janeiro em 8/2/1965.
Seu pai era de família abastada, tendo estudado na Inglaterra. A mãe era mulher muito inteligente e culta, havendo dado orientação literária ao filho.
Morou também em Lausanne, Suiça, período que teve profunda influência na vida literária do poeta. Voltou ao Rio em 1922.
Em 1928 publicou seu primeiro livro de poesias: 'Canto do Brasileiro Augusto Frederico Schmidt'. Outras obras: 'Navio Perdido'(1929), 'Desaparição da Amada'(1931), 'A Estrela Solitária'(1940), 'Babilônia'(1959), 'A Caminho do Frio'(1964). Da sua poesia:
QUANDO
Quando repousarás em mim como a poesia nos grandes poetas
Como a pureza na alma dos santos
Como os pássaros nas torres das igrejas?
Quando repousará o teu amor no meu amor?
Quando penetrará tua luz nos meus olhos vazios
Como o sol nos pântanos
Como o sorriso nos tristes.
Como o Cristo no mundo em pecado?
IV) PENSAMENTO LIVRE
O dinheiro é o grande senhor da servidão humana, e a sua falta transforma quem não o tem em indigente da dignidade.
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