Minha lista de blogs

sábado, 7 de maio de 2011

I) CRÔNICAS

ILHAS DE INDIFERENÇA

Tanta pressa, superficialidade e contínua luta pela sobrevivência há que, em um tempo não muito distante do nosso hoje, as emoções viverão em isolamento, como se uma pequena e distante ilha fosse.

Viver-se-á em uma clausura voluntária e defensiva.

Os sentimentos, protegidos por muralhas de egoísmo e fragilidade espiritual, serão cercados de indiferença por todos os lados.

Cada um deixará sua fortaleza somente para buscar o utilitarismo nas relações humanas, seu prazer individual e seu bem-estar.

Um dia, nos veremos muito pouco.

Um dia, nos falaremos muito pouco.

Um dia, seremos seres semelhantes indiferentes!

A NEUROSE E O PODER

Atribua-se ao homem qualquer forma de poder, e não se terá dele o equilíbrio, o bom senso, o exemplo, a parcimônia, a generosidade e a liderança inspiradora.

Intrinsicamente egoísta, com dificuldades para lidar consigo próprio, com despreparo intelectual, valores frágeis, princípios inconsistentes e caráter dúbio, ele tenderá ao desmando e ao autoritarismo.

O autoritarismo, que é a exacerbação da força, sem qualquer valoração humana, qualquer respeito pelo direito de cada um, e o desprezo pelos seus semelhantes, é encontrado em todos os setores e lugares da vida humana: no lar, onde esposa e filhos, dependentes e mais frágeis, têm de se submeter às insanas intempéries do marido e pai; no trânsito, onde o respeito pela lei, a tolerância e as gentilezas parecem ser somente para os tolos; no chefe que trata os que do emprego dependem, com superioridade e arrogância; no muito rico, que vê o assalariado que anda de ônibus como ser inferior, e a maior magnanimidade a que se permite é deixar-se servir por empregadas domésticas, desde que asseadas e que saibam ficar em seu inferior lugar.

A raízes determinam o vigor, a beleza, a sombra e os frutos de uma árvore.

A natureza de um povo, sua forma de ser, de ver o mundo e tratar seu semelhante, dependem de suas raízes.

Mas, nem sempre se pode escolher nossas raízes!

II) MESTRES

" Mestre não é quem ensina fatos isolados ou quem se aplica à tarefa mnemônica de aprendê-los e repeti-los, porque em tal caso uma enciclopédia seria melhor mestre que um homem. Mestre é quem ensina, com o exemplo, um modo de tratar as coisas, um estilo genérico de enfrentar-se com o incessante e vário universo. " -

Jorge Luiz Borges (1899-1986), escritor argentino.

III) LITERATOS

Florbela Espanca, poetisa portuguesa, nasceu em Vila Viçosa-Alentejo, em 8/12/1894 e faleceu em Matosinhos em 8/12/1930.

A sua vida de 36 anos foi plena, embora tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos que a autora transformou em poesia carregada de erotização, feminilidade e panteísmo.

Foi uma das primeiras mulheres em Portugal a frequentar o curso secundário.

Casou-se 3 vezes e tentou o suicídio outras 3, sendo que na última tentativa, com uma sobredose de barbitúricos, veio a falecer.

Poema da sua obra 'Livro das Mágoas':

________VAIDADE________

Sonho que sou Poetisa eleita,

Aquela que diz tudo e tudo sabe,

Que tem a inspiração pura e perfeita,

Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade

Para encher todo o mundo! E que deleita

Mesmo aqueles que morrem de saudade!

Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...

Aquela de saber vasto e profundo,

Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,

E quando mais no alto ando voando,

Acordo do meu sonho...E não sou nada!

IV) PENSAMENTO LIVRE

Os laços, quer os desfaçamos ou não, são para sempre, tal qual a marca feita com o ferro de marcar.

A marca pode ser tão irradiante como um girassol com sua corola voltada para o sol, acompanhando-o sempre, do nascente ao poente, ou como uma disforme e indesejável cicatriz, cheia de dores, ressentimentos e arrependimentos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário