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sábado, 14 de maio de 2011

I) CRÔNICAS

SÓ AMADO, NÃO VIVIDO

Se gostam proibido,

como o fruto,

na candidez de olhares pertubadores.

Pouco se veem,

em encontro fátuo,

como que um ato de amor,

o mundo à volta é, repentinamente, doce encanto.

Amor de primeiro instante,

que cresceu desapercebidamente,

amor não vivido, só amado,

de um e de outro lado.

Amor de quase nulas esperanças,

ilógico, onírico,

só de se olhar,

só de alma,

só de contemplar,

sem gemer, só de suspirar.

Onirismo em sua paz e plenitude.

Nirvana, evasão de si,

só platônico,

dos sentidos,

do tempo, do para todo o sempre,

só amado, não vivido!

VIDA SOLITÁRIA, NÃO SOLIDÃO

Sem compromisso com nenhum ser vivente, sua única companhia é sua vida solitária repleta de si mesmo.

Vive no vazio das vozes gritadas, repressoras, sussurradas, protetoras, carinhosas, amorosas.

Vive longe do rumorejar dos impessoais sons dos grandes aglomerados, onde a solidão parece ausente, mas encontra-se onipresente.

Sente, às vezes, falta das manifestações verbais contraditórias ou conciliadoras, mas preza muito mais a plenitude da sua vida de escolhas simples para si mesma, distante da solidão e ao lado das suas estimulantes imagens e lembranças dos grandes momentos que já viveu, dos encantamentos com que saboreia diariamente as mágicas histórias dos grandes escritores, e do garimpar da essência de seres humanos preciosos que enriquecem sua vida todos os dias.

É uma vida solitária, mas plena, sem solidão!

II) MESTRES

" Há nos sonhos uma encantadora poesia, uma alegoria arguta, um humor incomparável, uma rara ironia. O sonho contempla o mundo à luz de um estranho idealismo, e, muitas vezes, realça os efeitos do que vê pela profunda compreensão de sua natureza essencial. Retrata a beleza terrena ante nossos olhos pela profunda compreensão da sua natureza essencial. Retrata a beleza terrena ante nossos olhos num esplendor verdadeiramente celestial e reveste a dignidade com a mais alta majestade; mostra-nos nossos temores cotidianos da mais aterradora forma e converte nosso divertimento em chistes de uma pungência indescritível e algumas vezes, quando estamos acordados e ainda sob o pleno impacto de uma experiência como essa, não podemos deixar de sentir que jamais em nossa vida o mundo real nos ofereceu algo que lhe fosse equivalente. "

Sigmund Freud (1856-1939), psiquiatra austríaco.

III) LITERATOS

Augusto dos Anjos nasceu em Cruz do Espírito Santo, Paraíba, em 20/4/1884 e faleceu de pneumonia em Leopoldina, Minas Gerais, em 12/11/1914.

Era professor e poeta. Sua escola foi o pré-modernismo e o modernismo. Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife em 1907.

Publicou vários poemas em periódicos, e em 1912, publicou seu único livro de poemas: " Eu "

Após sua morte, seu amigo Órris Soares organizou uma edição chamada "Eu e Outras Poesias", incluindo poemas até então não publicados pelo autor.

__________O LAMENTO DAS COISAS___________

Triste, a escutar, pancada por pancada,

A sucessividade dos segundos,

Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos,

O choro da energia abandonada,

É a dor da força desaproveitada,

O cantochão dos dínamos profundos,

Que, podendo mover milhões de mundos,

Jazem ainda na estática do nada!

É o soluço da forma ainda imprecisa.....

Da transcendência que não se realiza.....

Da luz que não chegou a ser lampejo.....

E é em suma, o subconsciente ai formidando

Da natureza que parou, chorando,

No rudimentarismo do Desejo!

*

IV) PENSAMENTO LIVRE

O maior desejo do ser humano é o de que gostaria de viver para sempre, de ser eterno, como as montanhas, o sol, a lua e as estrelas.

O maior desejo do ser humano é a maior das suas ilusões!



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