I) CRÔNICAS
SÓ AMADO, NÃO VIVIDO
Se gostam proibido,
como o fruto,
na candidez de olhares pertubadores.
Pouco se veem,
em encontro fátuo,
como que um ato de amor,
o mundo à volta é, repentinamente, doce encanto.
Amor de primeiro instante,
que cresceu desapercebidamente,
amor não vivido, só amado,
de um e de outro lado.
Amor de quase nulas esperanças,
ilógico, onírico,
só de se olhar,
só de alma,
só de contemplar,
sem gemer, só de suspirar.
Onirismo em sua paz e plenitude.
Nirvana, evasão de si,
só platônico,
dos sentidos,
do tempo, do para todo o sempre,
só amado, não vivido!
VIDA SOLITÁRIA, NÃO SOLIDÃO
Sem compromisso com nenhum ser vivente, sua única companhia é sua vida solitária repleta de si mesmo.
Vive no vazio das vozes gritadas, repressoras, sussurradas, protetoras, carinhosas, amorosas.
Vive longe do rumorejar dos impessoais sons dos grandes aglomerados, onde a solidão parece ausente, mas encontra-se onipresente.
Sente, às vezes, falta das manifestações verbais contraditórias ou conciliadoras, mas preza muito mais a plenitude da sua vida de escolhas simples para si mesma, distante da solidão e ao lado das suas estimulantes imagens e lembranças dos grandes momentos que já viveu, dos encantamentos com que saboreia diariamente as mágicas histórias dos grandes escritores, e do garimpar da essência de seres humanos preciosos que enriquecem sua vida todos os dias.
É uma vida solitária, mas plena, sem solidão!
II) MESTRES
" Há nos sonhos uma encantadora poesia, uma alegoria arguta, um humor incomparável, uma rara ironia. O sonho contempla o mundo à luz de um estranho idealismo, e, muitas vezes, realça os efeitos do que vê pela profunda compreensão de sua natureza essencial. Retrata a beleza terrena ante nossos olhos pela profunda compreensão da sua natureza essencial. Retrata a beleza terrena ante nossos olhos num esplendor verdadeiramente celestial e reveste a dignidade com a mais alta majestade; mostra-nos nossos temores cotidianos da mais aterradora forma e converte nosso divertimento em chistes de uma pungência indescritível e algumas vezes, quando estamos acordados e ainda sob o pleno impacto de uma experiência como essa, não podemos deixar de sentir que jamais em nossa vida o mundo real nos ofereceu algo que lhe fosse equivalente. "
Sigmund Freud (1856-1939), psiquiatra austríaco.
III) LITERATOS
Augusto dos Anjos nasceu em Cruz do Espírito Santo, Paraíba, em 20/4/1884 e faleceu de pneumonia em Leopoldina, Minas Gerais, em 12/11/1914.
Era professor e poeta. Sua escola foi o pré-modernismo e o modernismo. Bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife em 1907.
Publicou vários poemas em periódicos, e em 1912, publicou seu único livro de poemas: " Eu "
Após sua morte, seu amigo Órris Soares organizou uma edição chamada "Eu e Outras Poesias", incluindo poemas até então não publicados pelo autor.
__________O LAMENTO DAS COISAS___________
Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos,
O choro da energia abandonada,
É a dor da força desaproveitada,
O cantochão dos dínamos profundos,
Que, podendo mover milhões de mundos,
Jazem ainda na estática do nada!
É o soluço da forma ainda imprecisa.....
Da transcendência que não se realiza.....
Da luz que não chegou a ser lampejo.....
E é em suma, o subconsciente ai formidando
Da natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!
*
IV) PENSAMENTO LIVRE
O maior desejo do ser humano é o de que gostaria de viver para sempre, de ser eterno, como as montanhas, o sol, a lua e as estrelas.
O maior desejo do ser humano é a maior das suas ilusões!
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