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sábado, 21 de maio de 2011

I)CRÔNICAS

SOFREGUIDÃO

Qual a melhor coisa em sua vida? O que ansiava fazer acima de tudo? Tinha sonhos, delírios eivados de presunção. Formou-se por uma boa universidade, casou-se com uma mulher inteligente, carinhosa e bonita. Viajou pelos países que o encantaram desde as lições de história nos primeiros tempos de escola.

Teve glórias profissionais e ganhos pessoais.

Tornou-se formador de opinião, era referência entre seus pares.

Circulava o mundo no seu jato particular, sempre cercado pela notoriedade.

Sem tempo e preocupação com o espírito, tornou-se inflexível nos negócios e ríspido no trato familiar.

Julgava-se acima do bem e do mal e que nada o poderia deter ou atingir.

Um dia, viu seu império afundar na areia movediça da presunção, das decisões tomadas na pressa e no descaso para com os que com ele conviviam ou tratavam.

Os que o buscavam para negócios deixaram de procurá-lo, os 'amigos' o abandonaram e a família se desfez nas teias da impaciência, da dissimulação e do amor exaurido.

Só, no silêncio dos frustrados, na má companhia do desalento de si próprio, lembrou-se dos seus oito anos de idade quando, ao pé do fogão à lenha, sua avó lhe serviu um prato de canjica quente, e às suas primeiras e afobadas colheradas que lhe queimavam a língua, disse-lhe para comê-la sem pressa, pois, na vida, se deve proceder sempre com prudência, maturidade e vagar.

Ele não prestou atenção ao ensinamento, preocupado que estava com sua gula e comeu canjica quente, com sofreguidão!

O VERDADEIRO AMOR

Quantas pessoas gostariam de estar com você, verdadeiramente?

Quantas pessoas gostariam de estar com você que não tem cargos, nem títulos, nem prestígio de monta?

Quantas pessoas gostariam de estar com você que não é dono de um grande negócio, não escreve livros, não faz poesias, não pinta sua alma em traços multicoloridos, não é presidente de empresa multinacional, não se relaciona com artistas e políticos de grande notoriedade?

Quantas pessoas gostariam de estar com você que não tem qualquer utilidade prática para os interesses de outrem?

Quantas pessoas gostariam de estar com você, por você mesmo, pelo seu brilho humano, para compartilhar seus desejos, sonhos, angústias, amores ou simples trocas no doce preencher do tempo que não para jamais?

A resposta não está nos filósofos, nem nas estrelas; ela está nos que te amam de verdade, que com você querem repartir, compreender e acolher.

A resposta está nos seus pais, filhos, nos novos amigos que revelam nos primeiros encontros a centelha do bem querer, e nos amigos de todos os tempos!

II) MESTRES

" Ser ou não ser, essa é que é a questão:

Será mais nobre suportar na mente

as flechadas da trágica fortuna

ou tomar armas contra um mar de escolhos

e, enfrentando-os, vencer? Morrer - dormir,

nada mais; e dizer que pelo sono

findam-se as dores, como os mil abalos

inerentes à carne - é a conclusão

que devemos buscar. Morrer - dormir;

dormir, talvez sonhar - eis o problema:

pois os sonhos que vierem nesse sono

de morte, uma vez livres deste invólucro

mortal, fazem cismar. Esse é o motivo

que prolonga a desdita desta vida.

Quem suportara os golpes do destino,

os erros do opressor, o escárnio alheio,

a ingratidão no amor, a lei tardia,

o orgulho dos que mandam, o desprezo

que a paciência atura dos indígnos,

quando podia procurar repouso

na ponta de um punhal? Quem carregara

suando o fardo da pesada vida

se o medo do que vem depois da morte -

o país ignorado de onde nunca

ninguém voltou - não nos turbasse a mente

e nos fizesse arcar com o mal que temos

em vez de voar para esse que ignoramos?

Assim, nossa consciência se acovarda,

e o instinto que inspira as decisões

desmaia no indeciso pensamento,

e as empresas supremas e afortunadas

desviam-se do fio da corrente

e não mais da ação. Silêncio agora!

-----------Príncipe Hamlet em 'Hamlet' de William Shakespeare (1564-1616), dramaturgo inglês.

III) LITERATOS

D.H. Lawrence nasceu em Eastwood, Inglaterra, em 1885. Foi um dos escritores mais controvertidos da literatura contemporânea de seu país.

Filho de um mineiro e de uma mulher de classe média, passou a infância num dos piores ambientes, em condições de vida primitivas, só encontrando compensação na ternura de sua mãe, que lhe ficou como o símbolo do amor e da beleza, jamais reencontrados na sua vida.

Suas faculdades intelectuais eram poderosas, o que o levou a um desenvolvimento rápido. Aos 13 anos, ganhou um bolsa de estudos e se tornou professor. Em 1911, aos 26 anos, publicou seu primeiro romance. Deixou o magistério após um violento ataque de pneumonia e após isso passou a viver do que escrevia.

Residiu na Itália e na Suiça e viajou pela Austrália e Mexico, geralmente em precárias condições de saúde e finanças.

Em 1928 sua obra mais famosa é publicada: 'Lady Chatterly's Lover' (O Amante de Lady Chatterly).

O livro contém descrições vivas e detalhadas dos encontros sexuais de Constance Chatterly, que vê seu marido, Clifford, ir à guerra, voltar paralisado da cintura para baixo, e aos poucos ir se afastando de Constance que, isolada, busca companhia no guarda-caças Oliver Mellors, um ex-soldado que cuidava da propriedade do casal, e que havia resolvido viver no isolamento após sucessivos fracassos amorosos.

O Amante de Lady Chatterly foi processado pela sua pornografia e teve sua publicação proibida na Inglaterra até 1960, quando a sua censura foi levantada.

D.H. Laurence morreu de tuberculose em Veneza, na Itália, em 1930, e sua reputação como escritor cresceu muito após sua morte.

IV) PENSAMENTO LIVRE

Por que a verdade quase sempre se rende às inconsistentes conveniências da dissimulação?

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