I) CRÔNICAS
INOCÊNCIA
É desejar, por um lapso de tempo que seja, viver para sempre.
Achar que somos iguais perante a lei, e entre nós mesmos.
Pensar que a fama e a notoriedade não colocam os famosos acima dos cidadãos comuns, e que todos esses não são anônimos.
Acreditar que o ser humano será um dia preponderantemente bom e generoso, deixando para trás seu secular instinto primata.
Acreditar que todos falarão sempre a verdade.
Pensar que a conveniência e o interesse não são moedas de valor para as pessoas, em qualquer lugar e quase o tempo todo.
Achar que a infidelidade, em todas as suas nuanças, um dia não existirá nem como verbete de dicionário, por ser algo que o ser humano desconhece.
Inocência é acreditar-se ser mesmo inocente!
RAPIDEZ
Foi tudo muito rápido:
a infância de milhares de estrepolias e instantes, dos quais a deliciada memória reteve pouco mais de uma dúzia;
a juventude, quando então acreditava que tinha uma imensurável distância de vida a percorrer até seus anos de velhice, e, enquanto fazia descobertas, encontrava curiosidades e percorria os caminhos sensuais do corpo;
a formatura na faculdade possível;
os encantos do casamento nos seus inícios;
os choros dos filhos nos seus trôpegos primeiros passos;
a angústia dos desentendimentos e das dores das desilusões;
a não percepção do tempo escorrendo entre dias e noites, meses e anos, como finos grãos de areia entre os dedos;
o rosto de viço brilhoso que a muitos já encantara e que o olhar no espelho mostrava como um outro rosto, recusando-se a aceitar a decadência biológica.
Mais que as memórias perdidas e as imperfeições do corpo, havia as ranhuras do coração, que, sem que se apercebesse, a deixaram desesperançada e envelhecida na alma e nas vontades.
Pouco se dava conta que o viver só cessa quando não há mais vida, mas que, até lá, saúde, otimismo, vontade, alegria e esperança de ver um novo dia, são os mágicos porém elementares motores da felicidade!
II) MESTRES
"Não acredito, em absoluto, no livre-arbítrio no sentido filosófico. Cada pessoa age não só sob pressão das compulsões externas, mas também de acordo com as necessidades internas." - Albert Einstein (1879-1955), cientista e filósofo alemão naturalizado americano.
III) LITERATOS
Boris Pasternak, poeta e romancista russo, nasceu em 10 de fevereiro de 1890, em Moscou, e faleceu em Peredelkino, também na Rússia, em 31 de maio de 1960.
Filho de um professor de pintura, que tinha um grande círculo de amizade entre os grandes escritores da época, e de uma mãe pianista, estudou filosofia na Alemanha e, de volta a Moscou, publicou seu primeiro livro de poesias em 1914.
Em 1958, foi publicado na Itália, o seu mais conhecido trabalho no mundo ocidental: Doutor Jivago, que em 1965 ganhou uma adaptação para o cinema com Omar Shariff no papel principal e com outros astros importantes como Geraldine Chaplin, Julie Christie e Alec Guiness. O filme, ganhador de vários Oscar, teve uma trilha sonora que se tornou sucesso mundial: Tema de Lara.
O livro havia sido proibido na então União Soviética porque continha críticas ao regime comunista então vigente.
O Prêmio Nobel de Literatura de 1958 foi atribuído a Boris Pasternak, mas ele não foi autorizado a recebê-lo, sob pena de desterro.
Somente em 1989, com a política de abertura de Mikail Gorbatchev, o livro foi liberado na União Soviética.
Dos pensamentos de Boris Pasternak:
..............."Temos de descobrir segurança dentro de nós próprios. Durante o curto espaço de tempo da nossa vida, precisamos encontrar o nosso próprio critério de relações com a existência em que participamos tão transitoriamente.".................
..............."A felicidade solitária não é felicidade."........................
..............."O homem nasceu para viver e não para se preparar para viver."...........
IV) PENSAMENTO LIVRE
Sonha em fazer da sua vida uma poesia em meio à aridez do deserto coberto pelos cactos do desafeto e do desrespeito insensatos. Deseja viver na Terra do Nunca, mas está preso às fragosidades da terra dos homens.
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