I) CRÔNICAS
MEDOS
Medo de envelhecer,
do bullying,
de dizer não,
do desemprego,
de magoar,
do trânsito agressivo,
de perder um filho,
de sair à noite,
de ser assaltado,
de passar em branco pela vida,
de não ter os esforços reconhecidos,
de ser atingido por uma bala perdida,
de viver só,
da violência gratuita,
da indiferença.
Medo dos seus medos!
Seus medos são o ruído das suas angústias.
Suas angústias são suas esperanças.
Suas esperanças são sua sobrevivência na selva da vida!
IMPORTÂNCIA
Depois dos arroubos, das inúteis altercações, das feridas quase mortais produzidas pela violência verbal e pela força física, aporta a sobriedade do tempo, o eterno apaziguador das tormentas, que na sabedoria que a distância e a serenidade conferem ao significado dos eventos, reduz quase tudo à insignificância.
Como em um conto de fadas, ode só há leveza, tudo se torna inútil, desde os seus começos, porque, na vida, poucas coisas têm, realmente, importância!
II) MESTRES
"A família é o primeiro modelo das sociedades políticas: o chefe é a imagem do pai; o povo, a dos filhos, e todos, tendo nascido iguais e livres, só alienam sua liberdade em proveito próprio. A diferença toda está em que, na família, o amor do pai pelos filhos o paga pelos cuidados que lhes dispensa, enquanto no Estado, o prazer de mandar substitui tal amor, que o chefe não dedica aos seus povos."
............................Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo suíço em 'Do Contrato Social.'
III) LITERATOS
Eça de Queirós, romancista e contista, nasceu em 25 de novembro de 1845, em Póvoa de Varzim, Portugal, e faleceu em Paris em 16 de agosto de 1900.
Em 1866, terminou a Licenciatura em Direito na Universidade de Coimbra e passou a viver em Lisboa, exercendo a advocacia e o jornalismo.
Foi Cônsul de Portugal em Havana e na Inglaterra.
A sua primeira novela realista foi O Crime do Padre Amaro, publicada em 1875.
Entre muitas outras obras, escreveu O Primo Basílio, publicada em 1878:
"Não se conteve, passou-lhe os dedos um pouco trêmulos nas fontes, nos cabelos, com uma carícia fugitiva e assustada; e com a voz humilde:
- Nem um beijo na face, um só?
- Um só?....fez ela.
Pousou-lho delicadamente ao pé da orelha. Mas aquele contato exasperou-lhe o desejo brutalmente; teve um som de voz soluçado; agarrou-a com sofreguidão, e atirava-lhe beijos tontos pelo pescoço, pela face, pelo chapéu....
-Não! Não! - balbuciava ela, resistindo. - Quero descer! Diz que pare!
Batia nos vidros; esforçava-se por correr um, desesperada, magoando os dedos na dura correia suja.
Basílio pôs-se a suplicar, que lhe perdoasse! Que doidice, zangar-se por um beijo! Se ela estava tão linda!....Fazia-o doido. Mas jurava ir quieto, muito quieto....."
IV) PENSAMENTO LIVRE
Nada, mesmo alguma coisa que gostamos muitíssimo, é por muito tempo encantador e bom quando é demais; nada é ruim, mesmo nos judiando um tanto, quando é por pouco tempo.
Bom mesmo é a quase impossível ausência de excessos, o equilíbrio que permite à alma ficar tranquila e ao corpo equilibrado!
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