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sábado, 25 de junho de 2011

I) CRÔNICAS

OBRA PRIMA

- Vô! - chamou a neta -Para onde você está olhando? - perguntou ela ao avô que, sentado na sua poltrona favorita, de onde quase nunca saia, olhava para um horizonte imaginário.

- Para o nada! - respondeu ele.

- Para o nada?!

- Sim, para o vazio dos meus dias idosos, da minha vida como é agora.

- Vô, sou muito criança para entendê-lo, mas nós somos uma família grande e feliz e eu gosto muito de você - disse a neta.

- Sei disso, e você é um pequeno e falante sol que ajuda a me manter vivo, mas o que quero lhe dizer é que o meu tempo já passou. Sou um corpo que anda com pernas arrastadas, mãos que não seguram com firmeza e olhos que lêem com dificuldade.

- Mas, você é um avô sábio e muito querido por todos.

- Os anos vividos me acumularam um pouco de sabedoria e serenidade para não me exaltar por questões menores como a maioria dos jovens e adultos fazem, mas, desde minha juventude tenho feito muitas coisas erradas, nada muito sério ou muito grave, mas foram erros e atitudes que não posso mais consertar, e nem devo me lamentar muito, pois, isso de nada adianta.

- Por que não, vô? - insistiu a neta.

- Porque na vida há um tempo certo para tudo. Há tempo para ser criança e brincar; ser adolescente, ter espinhas, descobrir o corpo e as maldades que os outros são capazes de fazer; para estudar e ter conhecimento e diplomas que abram as portas do mundo; para casar e formar uma família e ter uma descendência, e, mais que tudo, chegar à minha idade e poder olhar para trás e dizer que fez da sua vida uma grande pintura, uma obra-prima.

- Vô, vejo que você está cansado e com muito sono. Mas, vô, me responda: Você fez uma obra prima?

- Fiz sim, meu pequeno sol. Estou olhando para ela neste exato momento. Mas, estou cansado e com muito sono. Vou continuar sentado nesta poltrona, um trono que não desejei conquistar, mas ao qual estou condenado pelo peso dos anos e dos incômodos do corpo, e, feliz, vou cochilar um pouco, porque, na vida há um tempo certo para tudo!

CÂMERAS DA INCONSCIÊNCIA

Na precária segurança coletiva em que se vive, proliferam, para o bem, as câmeras que não impedem as faltas, nem a maldade humana, e que gravam em cinzentas e entristecedoras imagens, a ilimitada capacidade humana, principalmente do gênero masculino, de predar seus inocentes e indefesos semelhantes por motivos os mais fúteis.

O homem, na sua inconsciência predadora, é incapaz de controlar seu mundo de ressentimentos e ódios gratuitos.

Irracional, não enxerga os caminhos do diálogo, da compreensão, do entendimento e da aceitação das suas possibilidades.

Isso jamais será mudado. Vem de milênios. Vem desde o tempo das cavernas!

II) MESTRES

"O mais forte nunca é suficientemente forte para ser sempre o senhor, senão transformando sua força em direito e a obediência em dever." - Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), filósofo suíço, em 'Do Contrato Social'.

III) LITERATOS

Margaret Mitchel, escritora americana, nasceu em 8 de novembro de 1900, em Atlanta, Georgia, e faleceu na mesma cidade em 1949.

Sua infância foi passada entre veteranos da Guerra Civil Americana e parentes por parte de mãe que tinham sobrevivido à guerra.

Enfrentou o preconceito de seu tempo, arrumando um emprego no Atlanta Journal, escrevendo uma coluna nas edições de domingo sob o pseudônimo Peggy Mitchel.

Margaret Mitchel era prima distante do famoso pistoleiro e dentista Doc Holiday,

amigo de Wyat Earp, o mais renomado dos delegados do velho oeste americano, retratados em inúmeros filmes.

Em 1935, a até então modesta jornalista de Atlanta concordou em acompanhar, a pedido de uma amiga, Harold Latham, editor da Editora Macmillan, que fazia uma visita à cidade, e que se encantou com ela e lhe disse que, quando escrevesse um livro, mostrasse o manuscrito a ele, primeiro.

Foi o que ela fez, não sem relutância.

Era o manuscrito de Gone With The Wind ( E O Vento Levou), romance publicado em 1936 e que descreve Atlanta durante a Guerra Civil Americana e a Reconstrução. O livro se transformou em um estrondoso sucesso.

Imediatamente, foi para as mãos de David O. Selznick, que o lançou em 1939, e se tornou um dos mais grandiosos filmes de todos os tempos, com Clark Gable e Vivien Leigh nos papéis principais.

Margareth Mitchel morreu atropelada por um táxi, cujo motorista foi condenado a 11 meses de prisão.

"Existia uma terra de cavalheiros e campos de algodão chamada 'O Velho Sul'. Neste mundo bonito, galanteria era a última palavra. Foi o último lugar que se viu cavalheiros e damas refinadas, senhores e escravos. Procure-a apenas em livros, pois hoje não é mais que um sonho. Um civilização que o vento levou."

IV) PENSAMENTO LIVRE

A indignação é o apanágio do impotente, do débil de bens e prestígio, daquele cujo grito jamais se fará ouvir.

O poderoso não sofre desse mal. Ele, como se membro fosse de uma faustosa corte real, não sofre dessa mudez, pois, a ele basta usufruir os seus bens e as suas benesses!

Um comentário:

  1. Gostei de tudo...
    voltarei mais vezes para me inspirar.
    Um abraço terno meu querido!

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